4.10.09

foi assim

eu deitei na minha cama e, pra variar, você estava ao meu lado. você sempre está ao meu lado. penso até que já vivemos numa comunhão, indigna de casamento (porque realmente não dá pra comparar, somos melhores!) mas muito estável. e você estava lá, olhando pro teto comigo. você estava junto de mim, e eu estava quase junta do teto, mas fiquei um bom tempo só olhando pra ele e fazendo mil indagações. ou lamúrias. ou os dois, num tom intercalado. e você só passava a mão nos meus cabelos e sorria... e do nada me disse: eu sou feliz. e o que mais eu poderia fazer? eu só podia ser feliz. eternamente feliz naquele momento. eu nem tinha mais voz, só uns suspiros tolos agradecendo por você, pra você e com você.

2.10.09

ontem pra sempre

ontem, às 08:30h tive um compromisso com um senhor de 80 anos. sentamos no chão, esticamos as pernas e nos falamos por horas. sim, horas. tive a impressão de, lá pelo meio da conversa, ser uma senhora de 70 e poucos anos. a conversa fluia muito bem e eu já nem sabia mais o que eu era, só tinha a certeza de querer continuar ouvindo aqueles anos falados. saí de lá conhecendo uma pessoa incrível, que depois dos 80 decidiu aprender a ler/escrever e carrega nas palavras uma bagagem incrível. até me esqueci que tinha ido lá pra fazer fisioterapia.

28.9.09

amigos, não há amigos.

sabe aquele momento em que você não sabe se decide a sua vida ou se corre pra pedir a opinião da amiga? acabei de sair de um desses. foi assim, traumático como sempre. o coração acelerou e quase parou, os olhos marejaram, o ar faltou e houve até um eco imaginário - naquele momento em que eu gritava desesperadamente por alguém que pudesse ouvir essa história doida e me dizer 3 palavras, pelo menos, de crítica e/ou consolo. eu estava lá, falando do mesmo assunto sem saber novamente o que dizer. a nostalgia me cutucou os ombros e eu quase morri de susto ao respirar aqueles ares outra vez. mas olha, essa sensação não foi frustrante. foi doída, mas não frustrante. pior foi procurar inutilmente por alguém que pudesse dividir comigo essa angústia. e nessa hora foi tudo válido, desde procurar aquela amigona que só se restringe aos "oi, tudo bem?" até aquela que tem outra melhor amiga. ah tá, aí me caiu a ficha de que era você que ocupava o lugar desse alguém que eu precisava. me lembre de gritar na presença de todos eles: "AMIGOS, NÃO HÁ AMIGOS!", ou não. me lembre de mudar esse título.

20.9.09

confessativa

eu sempre tive margens plausíveis de uma solidão interessante e feliz. sim, feliz. sempre "platonizei" poucas companhias, únicas a propósito. mas não rolou, então hoje eu já estou desencanada com a ausência de uma melhor amiga e do fato de sempre tornar um namorado em melhor amigo - e não conseguir me desfazer disso (o que acaba virando a velha e constrangedora história da amizade com ex, e eu sei que isso não deixa mais ninguém pasmo hoje em dia). pois bem, eu iria confessar outra coisa que foi atropelada por um outro engasgo antigo. e essa outra coisa era a respeito da existência de gente interessante na minha cidade - o que quase tem a ver com o ressurgimento de uma esperança ridícula e que não me apetece mais, porque não quero mesmo. mas ah, sabe, descobri que existem pessoas assim por aqui e isso me deixa... eufórica, com vontade de sair pra lugares que nunca fui - como um certo Centro Cultural (e essa linha torta de raciocínio só surgiu porque o twitter criado por esse Centro Cultural daqui me adicionou) e sei lá, admirar certas coisas da vida.

16.9.09

e o que foi que não se perdeu?

a menina que voltava para casa (e a que fugia de casa também) , uns amores eternos, risadas no colegial, o melhor amigo do outro lado a rua, os planos profissionais, as músicas daquele romance, aquela amizade por telefone de alguém que não se sabe quem é, a amizade com as primas, um desabafo no msn, o gosto musical, a paciência com a leitura, a liberdade com a própria vontade. ficou tudo perdido nalgum canto dessa vida.

8.9.09

honestamente

você vira pra mim e diz que o primeiro [e único] filme que vimos juntos foi de fato um dos melhores que já viu na vida. fiquei dias tentando lembrar o nome do filme, porque eu não sei se era a falta de hábito com o uso das lentes de contato ou o clima de um primeiro amor na minha frente, mas eu nem me liguei naquele filme. aí você me lembrou o nome e eu tive a certeza de não querer vê-lo nunca mais. nunca gostei de repetir as coisas. mas você fez o favor de me ensinar a fazer isso com as pessoas. me fez o favor de colocar o pouco que eu sabia sobre amor no bolso e jogar na primeira esquina. e agora eu faço isso, arrasto o senso das pessoas na sarjeta e fico parecendo uma sem-coração. e sou. devo ser.

7.9.09

sofro de um passado

sofro de um mal estranho e mal definido. só sei de suas raízes porque às vezes sinto-as, fincando em alguma coisa que incomoda os pensamentos. mas não sei absolutamente nada das motivações ou dos pecados que o envolvem. já estou achando um pecado irromper esses pensamentos, mas hoje vou dormir pecadora mais uma vez. deve haver um nome pra essa coisa, uma síndrome, sei lá. aproveito mal o presente, faço parte da multidão que respira nostalgia. e essa multidão me atropela. ["acho que o imperfeito não participa do passado"]

1.9.09

oi,

eu tô super afim de gritar. de sair por aí com as mãos pra cima gritando e nem olhando para os lados. vontade de desaba[fa]r meus rumores com uma pessoa qualquer. pessoas conhecidas são tão perigosas pra isso e eu já me cansei de ficar olhando o seu nome horas no msn sem ter coragem ou afinidade pra te dizer dessas coisas. então eu vou dormir, pra ver se encontro esse desconhecido disponível.

28.8.09

não é meu

tá muito estranho o dia hoje. eu me sinto com outra vida.

26.8.09

oi,

tô sentindo aqui um troço estranho. tá me sapecando o coração, tá me fazendo rir e chorar
ao mesmo tempo. tá todo mundo me olhando. me interromperam agora para que eu não me
afogasse. já estou bem de novo. ou não. me disseram que talvez o tempo que tá correndo lá
fora seja o nosso. já não sei quem é você ou o que fiz de mim, de nós. tudo tem passado rápido
de mais, e eu achando que ainda tenho 17 e são 7h da manhã. não é. eu não queria voltar ao
tempo ou fazer as coisas diferentes. eu só queria voltar e viver aquilo tudo de novo.

25.8.09

oi,

me ajuda a arrumar esse blog? #fail

24.8.09

cúmulos e acúmulos

é o cúmulo ter tanta distância entre os meus olhos e os meus pensamentos. talvez tenha sido o acúmulo do querer. de querer ter a razão.estou me cansando dos sonhos planejados, encarregados dos afagos à insônia em noites doentes. a minha fadiga está presa no olhar. e ainda assim, não há nada diferente em mim.

23.8.09

pra muita coisa, poucas coisas

certas memórias a gente apaga. outras... nem querendo se apagam da gente.

15.8.09

[des]abafo

nem sempre se quer criar um estigma em torno de si mesmo. nem sempre reverter isso é possível. mas acho que eu sou do tipo de pessoa que se cansa sempre da opinião alheia. cansaço [senti]mental também me afeta absurdamente. existe tratamento pra isso?

10.8.09

pra rua me levar

e eu, que andava ali de mãos dadas com as palavras ensaiadas de Ana Carolina, parei de viver como alguém que só espera um novo amor. inevitável será deixar de trocar passos com a solidão, mas descobri um amor enorme dentro de mim. e é você. :)

9.8.09

momento [quase] twitter

sério, vai chegar um dia, lá no final de alguma coisa, em que eu vou dizer: é, acumulei desgostos o suficiente pra morrer. coloca aí no meu atestado de óbito. [exagerei minhas verdades]

4.8.09

era ela

não tinha certos dons, isso às vezes a fazia desisir. dos sonhos, dos amores de suas verdades. estava quilometricamente distante daquilo que havia imaginado para si. sentia que havia costurado as partes erradas. e, por hora, era só isso que sentia. aquele sentimento era ela.

31.7.09

sou uma gota d'água

é muito normal que as pessoas desistam de quem já desistiu. não digo de desistir uma das outras, no sentindo mais recíproco que possa existir. digo daquele abandono de história construída junto, quando só uma das partes fica com tudo porque resolveu sair catando desesperadamente versos perdidos e depois guardá-los num lugar onde pretende torná-los resguardados, sem que a outra parte possa fazê-los declinar ainda mais.
no fundo eu sei que estou citando entrelinhas sobre aqueles meus sabores perdidos. as minhas amizades quebradas quando eu resolvi desistir de estar aqui todos os dias, as minhas esperanças mudas quando eu dei o meu último grito. talvez eu já compreenda os seus silêncios.
eu gostaria de estar escrevendo isso e chorando, pelo menos pra demonstrar o tamanho da minha dor ao ter que admitir minhas maiores verdades. mas eu já não consigo, não mesmo (por mais exagerado que isso pareça). eu gostaria de estar apenas exagerando. não estou, talvez tenhamos exagerado juntos. sexta não é um bom dia da semana pra refletir sobre as desvairagens da vida. essa aí deveria ter nos unido e nos tornado um só. eu e vocês todos, um só! talvez haja mais significado no que digo do que eu gostaria de dizer. eu nem me importaria de ver o que vejo hoje, a nossa história duplicada com uma outra pessoa, a nossa história findada e as suas com reticências infinitas. talvez eu já compreenda os seus silêncios, mas eu não gostaria. não mesmo...
desculpa, mas não quero mais escutar faroeste caboclo. você sempre soube que eu preferia ouvir e acreditar que "é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã".

29.7.09

tchau, não.

eu senti uma vontade imensa de escrever algo por aqui. nada cheio daquele rancor que eu tinha quando era altamente desprezada ou sei lá o que. na verdade ando muito leve. muito mesmo. ando até fazendo as coisas que minha mãe quer sem reclamar (porque antes eu fazia e reclamava, ao mesmo tempo que era pra não perder a chama e fama de chata), ando sendo cordial com meus irmãos e desisti de chamar a atenção do meu pai sempre e tentar fazê-lo enxergar a burrada sequencial que ele faz todos os dias. desisti também de ficar achando que eu não tinha feito nada da minha vida. talvez eu não tenha feito muito o que eu gosto, mas fiz um punhado de coisas. me surpreendi ao contar alguns episódios pro namorado. e fiquei lá, presa naquele momento em que eu me lembrava e presa também naquele momento lembrado. quando é que eu me imaginaria fazendo as molecagens absurdas que eu já fiz?já desci um rio com 300 primos, em cima de uma câmara de ar de caminhão, e depois enfrentei uma mata louca e fiquei cheia daquelas paradinhas que grudam no cabelo e em todo o resto do corpo. já acampei VÁRIAS vezes, com direito a: beira de praia, frio, fogueira, lual, batidas&afins, alguém tocando legião, moletom e areia, banho com garrafa de coca-cola, danças estranhas, dormir dentro de carro, paixões instantâneas, platônicas e nem tão platônicas, e mais outros milhões de detalhes. já vi o mar, e já fui parar no meio dele (segundo minha tia), joguei altos jogos de cartas (há!), já tive insolação, já fiquei de molho altas horas seguidas nas águas quentes de caldas novas, já bebi escondido no escuro e sozinha, já bebi acompanhada no escuro, já namorei na água (ops!), já brinquei de amarelinha, já fiz complô com a vizinha da minha prima, já quis matar a(s) minha(s) prima(s), já tive um primo apaixonado por mim ... e outras mil coisas, conto depois.

27.7.09

oi,

pela primeira vez vou arriscar a dizer tudo o que eu deveria dizer a você. sei que vou tropeçar, gaguejar e até me arrepender (já está acontecendo), mas é tão necessário...
eu gostaria de ser o par ideal pra você (de verdade!). sei que é isso que você deseja na maioria das vezes, ao menos quando me olha às 07h da manhã e me diz um "bom dia" com um "eu te amo" imendado. não somos nada parecidos e isso tem me tirado algumas noites de sono. fisicamente somos o oposto. culturalmente, somos o oposto um do outro. de temperamento também, somos o oposto. difícil isso, né? eu tenho achado. não por não nos entendermos, mas por nos faltarmos um com o outro em certas ocasiões. em nossas ocasiões individuais. eu gosto das palavras simples, curtas e bem escritas - ainda que planejadas. você gosta de gritar o seu sentimento, fazer mil coisas românticas, escrever cartas e continuar sem o bad boy, enquanto eu prefiro um e-mail breve. não, não te condeno. te acho suficiente pra carência de 99% das mulheres do mundo. mas aí eu me perdi nesse 1%. eu sou simples demais, complicada demais. às vezes só quero silêncio e sono, e você prefere ver tv e escutar música ao mesmo tempo. eu gosto de música regional e você gosta das barbáries das décadas passadas inundadas de rock'n'roll. sabe o que eu deveria ser pra você? alguém que ama música e esse seu cenário alternativo. eu deveria parar com você naquele lugar onde você vivia e que quando passa na porta quase quebra o pescoço pra ver o que está acontecendo, pra toda a sua (ex) galera lá. deveria ser alguém que não tivesse te mudado. que tivesse aceitado a sua vida selvagem, a sua jaqueta de couro, a sua vida bohemia e os seus amigos músicos. mas eu não sou. tenho vergonha até de respirar, não confio nos meus passos o suficiente pra sair dos meus conhecidos trilhos e nem pra trilhar o que alguém já traçou. eu sou uma largata que apodreceu no casulo. eu não sou tudo o que eu gostaria de ser e, de quebra, que você também gostaria que eu fosse. não gosto do que eu sou, mas sou. vai ser difícil se eu ainda for eu e você não for você. não te quero fora dos seus princípios, muito menos fora daquilo que sonhou pra você. eu te quero imenso, até quando eu decidir me diminuir ou fizer o mesmo com você. porque eu te amo tanto, e sei que eu deveria ter algum dom musical pra te acompanhar nesse sonho. quem sabe se eu ao menos tivesse coragem de ser, publicamente, a sua maior fã. amo! amo mesmo.

21.7.09

pra dizer antes de explodir

estou em crise, de novo.

eu não acredito mais em amizade com a minha família.

eu não vou mais ficar me desmanchando de tanto querer ser algo bom.

eu deveria ter saído de casa quando demos o nosso primeiro piti!

eu me sinto com 12 anos, de novo.

eu devo mesmo estar muito surtada, e estou morrendo de vontade de ir trabalhar. ou de não estar aqui.

só isso!

14.7.09

pra você, que não vai ler.

ok, sinceramente...(eu sempre acho que devo ser sincera demais com meus impulsos e minhas confissões também. no final de tudo, revejo todas as linhas e entrelinhas e saio no prejuízo.) eu jamais diria que morro de saudade das minhas amizadaes (e que sim, um dia eu achei que vocês seriam meu porto seguro pra sempre). aliás, a minha amizade com você, principalmente. seriam 2 décadas, não fossem os últimos anos. dessa vez seu voto foi mais válido e eu não insisti. eu gostaria de ter insistido e isso poderia ter mudado toda a minha vida. mas não entendi, não insisti. e o prejuízo foi realmente meu. a sua vida não mudou nadinha, só foi algo mais do que eu gostaria de ter vivido e, quem sabe, com você (e o resto daquele nosso círculo de amigos). eu deveria ter acreditado naquelas nossas brigas de quando tínhamos 6 ou 7 anos, eram bem verdadeiras mas eu até achei que suas desculpas fossem mais. ou então acreditado naquele seu jeito de quem foi morar lá fora e já não conhecia mais os seus. eu tô aqui olhando as suas fotos, com tanta gente (conhecida até) e me imaginando em cada uma delas. achei que nossa amizade seria pra sempre, foi só isso. aliás, não foi. nossa amizade ficou lá naquele hospital, morreu comigo naquele dia. beijos, e seja muito feliz. gosto muito de você!

9.7.09

pagou e pronto.

às vezes certos caminhos, certas verdades, certos encontros e a maturidade. fulana nem sabia o que queria e guardou consigo este segredo. estava pronta todas as noites para revelá-lo mas nunca encontrava as palavras certas. um dia, no seu próprio silêncio, dormiu feliz: revelou-o. seu silêncio, seu preço. talvez todos já soubessem do seu segredo.

7.7.09

shiiiiiiiu!

seus pensamentos deveriam ser mais silenciosos. certas verdades tendem a magoar. tudo bem que você não liga pra isso, mas pra que se arriscar? claro, você já o riscou todo, mas de novo não, ok? fikdik! ;*

3.7.09

andendo(s):

eu avisei pra não me fazer acertar. tá chegando mais um domingo. estou absolutamente satisfeita com meu atual trabalho (que nem é muito atual, mas os meus últimos 3 dias foram excepcionais, tanto que nem liguei pra uma reunião que me tornava o centro das atenções e responsabilidades. por enquanto, há!). a minha última terça-feira lá (no segundo e quase ex-trabalho) está chegando, não sei se estou feliz ou desapontada. NÃO VOU MAIS DIRIGIR SEM A MINHA CARTEIRA! vou colocar meus exames médicos em dia. vou viver mais com minha mãe. amanhã, acho que vou fazer um sacrifício que jamais imaginei. cya!

27.6.09

ah, se tem..

eu, sinceramente, sinto que existe algo errado. errado comigo, com você, conosco e com os outros também. talvez seja a roupa suja que eu deixei pra lavar amanhã ou as toneladas de coisas que eu deixei de estudar, pode ser também que seja o nosso namoro ou a saúde de nossas mães. pode ser tudo de uma vez, ou pode ser a vez de tudo. absolutamente previsível.

24.6.09

mais uma visita

sempre que visita aquele homem de branco, naquele lugar de homens, mulheres e crianças com astral perdido, ela sai de lá com um pedido cirúrgico de diferente. assim é o câncer, droga!

21.6.09

dia preguiçoso [!]

fernanda young acha que domingo deveria ser apenas um dia preguiçoso. concordo em gênero, número e preguiça. embora eu tenha inúmeras coisas pra fazer todos os dias, nem sempre alguma delas é do meu agrado. domingo, por exemplo, eu queria só andar por algumas ruas vazias e depois voltar para casa e dormir pra descansar de não fazer nada. só tem um defeito no domingo: ele poderia ser infinito, porque pensar na segunda-feira é muito desgastante.

15.6.09

absolutamente nada

estou absolutamente triste e aliviada. não sou mais escrava, acabaram de me dar a alforria. não sei se choro ou se esperneio de alegria. (até rima estou a fazer, colega!) acho que agora chegou a hora de eu ser mais feliz, ter mais tempo pra mim, ver mais graça nessa minha vida. certas desgraças devem ter algum significado - tenho 4 meses pra achar o meu.

(não passei em branco)

eu poderia dizer várias coisas sobre o meu último fim de semana. poderia dizer que já não temos mais carro, pois meu irmãozinho deu PT no único que tínhamos depois de um acidente cabuloso; poderia dizer que eu burlei o ponto facultativo que o prefeito não deu, com o total aval da minha diretora, que até partilhou isso com os outros funcionários; que faltei ao meu outro trabalho em virtude dos dos motivos anteriores (há!) ou poderia dizer que sumi (fui furtada, não sei) a minha carteira com todos os meus documentos e cartões de crédito possíveis (god, fazer segunda-via de CNH é tão caro!) e passei um bom tempo em delegacia e ao telefone bloqueando tudo. mas, sinceramente, eu prefiro comentar que eu (mais uma vez) não passei o dia dos namorados sozinha (yes!).
já nas primeiras horas do dia fiz um programinha legal com mais um casal de amigos: jantamos, ouvimos música, jogamos baralho e conversamos fiado. fui ao cinema, fiz coisas de namorados. fui feliz, tenho certeza.

10.6.09

relógio breve

minha caixa de mensagens está cheia, tenho milhares pra responder; tenho vários compromissos esquecidos_na_falta_de_tempo; tenho uma pilha de contas pra pagar e o mês acabou de começar; minha cama está tão boa quanto nas outras vezes em que não pude aproveitá-la; meu dog tá tristinho e doentinho; toller (a paula) tá aqui tocando no meu player sem perceber o loop ao qual foi condenada. saudade de 24 horas vagas para a rebeldia da insônia, para ver mil e uma séries de tv, escrever mil comentários inúteis e sei_lá_mais_o_quê! hora dessas (em que se tem que dormir muito tarde e acordar muito cedo pra trabalhar 20 horas seguidas) é que me dá vontade de ser marajá!

9.6.09

já é

e se eu acordar e não souber mais o que dizer, saiba: eu te amo! depois de alguns anos procurando por isso talvez eu tenha realmente encontrado o significado desse infinito de sentimentos. talvez eu já saiba que essa coisa que sinto enquanto você não está, que aumenta quando te olho durante o seu sono e que parece não ter fim quando conversamos durante toda a madrugada com mil e uma afinidades seja amor.

Justificar

7.6.09

verdades que eu não queria

é bem verdade que eu tenho pelo menos umas 5 histórias muito tristes para contar, todas elas bem perto de mim e totalmente atingíveis. conheço/conheci pelo menos 5 pessoas que mereciam muito mais do que um traçado que lhes diria o que seria de suas vidas. é absolutamente frustrante ouvir comentários uma das outras sobre as injustiça que lhes ocorrem, sem nem mesmo medir as próprias dores. talvez esse meu sentimento, que já não mais se define, não me faça tornar essas palavras totalmente particulares. o mundo ainda não descobriu a cura, tão pouco a explicação.

30.5.09

algumas [in]observâncias

há 10 anos atrás tudo o que eu não pretendia era alcançar a naturalidade vulgar das pessoas. conduzi minhas metades consideravelmente bem por estes caminhos por um bom tempo e aos poucos, e sem perceber, alcancei a essência temida. é absolutamente estranho se dar conta disso. assustador, eu diria. eu não gostaria de ser uma luz acesa na escuridão e tão pouco uma luz apagada entre outras tantas brilhantes.. mas hoje sou só mais uma luz - que acompanha todo o resto - apagada ou não, mas igual. eu já não consigo manter um diálogo sem 3 frases fixas e mudas, mesmo com aqueles que fielmente me transmitiam uma afinidade inexplicável. já não tenho com quem conversar por horas sem perder o assunto ou compartilhar certos abismos. já não tenho paz com meus silêncios, embora os busque incessantemente. as minhas ocasiões parecem ter se findado e os meus apreços encolhidos.

20.5.09

por mais sagrado que seja o meu tudo

eu juro, por mais sagrado que seja o meu tudo, que não teria a mínima capacidade de tomar o que não é meu. eu só não sei exatamente o que é meu. eu só tenho uma ânsia imensa em saber. e isso tudo eu nem sempre tenho tempo de esperar acontecer. eu tenho meus "aindas".

19.5.09

uma dúzia e meia de indagações

1 - eu sei exatamente as dúvidas que tenho?
2- eu saberia me portar naquelas condições?
3- que curso seguir?
4 - minhas contas por minha conta, até quando vou conseguir?
5- fazer mais contas, já posso?
6- arriscar é justo?
7- manter é justo?
8- vai demorar muito tempo até tudo voltar ao "normal"?
9 - eu ainda sei o que me é normal?
10 - vale a pena julgar?
11 - eu gostaria mesmo de abandonar aquelas coisas chamadas princípios?
12 - eu ainda sei o que são princípios?
12,5 - isso são horas de...?

18.5.09

já nem

eu, que já nem quero mais saber quantos dias me faltam e me fazem falta, ainda não sei quanto tempo esse tal tempo diz e mediu de mim.

15.5.09

a falta que a falta nem faz tanto

ela achava que lhe seria imensamente produtivo. tinha em sua lista dois sonhos realizados, de uma lista imensa haviam dois que foram para o andar das coleções de realizações. bem feito, talvez ela tivesse merecido. talvez tivesse merecido também essa regressão de pensamentos, essa falta do que dizer, essa falta de dizer algo bem bonito.

10.5.09

futuro do pretérito

eu emprestaria os R$ 5,00 que aquele menino precisa, e só pode pagar no mês que vem. eu daria um novo gloss à menina que foi assaltada no ônibus. daria várias latas daquele leite especial que o menino especial toma. eu daria as minhas mãos e toda a minha força para aquela mulher que fará das mãos de seu médico, na segunda-feira, as mãos de Deus. eu daria um grande amor praquele rapaz que talvez não saiba o bem que isso faz, daria também um filho para ele sentir a reciprocidade novamente. daria àquele endividado todas as suas contas pagas. daria à menina o melhor estudo. ao menino o melhor sentido da vida. e para mim, eu daria a maior satisfação do mundo em atender tais urgências. [talvez desse também um pouco de tempo pra brincar de fazer pesadelos serem apenas sonhos, urgentes e solucionáveis]

17.4.09

enche meu copo de sinceridade também!

não suporto você escrever todos os dias (ou quase todos eles) sobre seu quase-romance. vai ver que me faltou a sapiência (e a paciência) pra ter um desses. confesso que seria muito mais interessante me importar com a prestação de conta dos amores do que aquelas outras pilhas de papel que me envolvem ao fim do mês esperando as minhas poucas verdinhas. não suporto esse emaranhado de comemorações bajuladoras, esses parangolês doces e tanta mimação. hahahahaha.. vai, claudinha, eu (ainda) sou tua fã! queria muito ser tão sincera quanto você! nós ainda temos a mesma despretenção de numa segunda ou sexta-feira qualquer sentar naquele barzinho pelo qual passamos todos os dias e simplesmente rir (e faltar ao trabalho) e tomar umas (muitas) geladas e aproveitar todos os nossos momentos insanos que, por hora, estão comedidos.

16.4.09

per(de)cepção

ainda que eu seja cinza, nem sempre o quis ser. eu ainda sou daquelas que preferem o sossego e algumas horas de fidelidade. tenho sido desonesta comigo passando por cima de vários dos valores que um dia defini meus. repito os anos duplos que um dia não desejei e continuo cinza. talvez por isso minha per(de)cepção continue a mesma e eu ainda faça listas de relevância de personalidades. muito me interessam os que sabem e os que não sabem mentir a si, mas não chego nem perto do êxtase quando percebo minha lista de dissabores aumentando só por conta do dia-a-dia.

14.4.09

eles acham..

ela me disse que tem dó do meu desperdício. que os dias em que ela sai do trabalho e vai tomar uma gelada são insubstituíveis e que eu deveria fazer o mesmo. ele me disse que acha que eu não deveria estar onde estou todos os dias, que eu deveria aproveitar com ele todas as tardes belíssimas que sai da faculdade e vai curtir um bistrô naquele friozinho espetacular, que acha que eu me pareço muito mais com a vida que ele leva do que ele mesmo. eu também acho, também gostaria de sair do trabalho e aproveitar tardes, noites e madrugadas intermináveis com as minhas leituras, com as minhas visões e com os meus delírios. eu ainda não sei bem o que fazer, não sei se quero jurisdição para minha vida, se quero emergências ou se quero colunas inteiras. sei que enquanto penso ele toma cafés maravilhosos e fuma pensamentos enormes com o sol argentino se pondo ao fundo de suas entranhas. eu quero mais isso tudo aí, ainda que literalmente ou não.

6.4.09

...

viva aos meus 20 anos! o/
.. hohoho

4.3.09

bamba

descobri que eu adoro samba! :D

21.2.09

ainda ela, ela ainda..

ela sequer sabia onde tinha ido parar a sua bondade e alguns dos seus sorrisos. sabia que o amor talvez poderia ser intocável, mas que talvez pudesse se virar com o muito que ainda podia ganhar dos seus. aos poucos, caminhou na linha tênue entre a dor de ganhar e a dor de perder - queria que todos tivessem sempre a mesma sorte. ela sabia o que era o amor, mas não sabia como podia ele se transformar em perdão mas também se transformar em tanta decepção. acreditava piamente que uma lei suprema deveria existir para impedir tal catástrofe. ela ainda tem as suas dúvidas sobre o mundo.

14.2.09

amigos, não há amigos!

embora o que mais me faça falta seja a probabilidade de ter tido amigos que jamais me abandonariam, tenho que conviver ainda com amigos que sei: jamais me acompanhariam. esse roda tá ficando apertada! no final, amigos me abandonaram ao quadrado e eu preciso trocá-los, ou mantê-los infieis.

uma canção..

... pra você viver mais!

31.1.09

"Just because I'm losing
Doesn't mean I'm lost
Doesn't mean I'll stop
Doesn't mean I'm across"

16.1.09

não tão tarde

estou (e estamos) tão feliz (mas tão mesmo!) pelas guinadas largas que me ocorreram no último ano, pelas esguichadas quilométricas de água e sal, pelas dores agudas e pelos remédios amargos que me trouxeram a cura. um ano novo requer, ainda que fora do prazo comum para se fazer planos, milhares de pretensões. deixar as tristezas para trás, deixar alguns apegos, esquecer o câncer, os acidentes de percuso e a exaustão. lavei-me da lama e do apego às explicações. ainda tenho mil amores guardados no coração, tenho a quem pedir perdão, tenho alguém para dormir junto e fazer companhia em algumas viagens, algumas passagens , algumas provas... alguém a quem morder os dedos e segurar a mão quando bater a exaustão do reveillon ou do fim de expediente. ainda assim pretendo criar mil expectativas e jurar pelamordiqualquersanto que seremos infinitamente vulgares a qualquer crítica!

4.11.08

me dê algum motivo

pra não lembrar de tudo isso. quero lembrar das nossas nada longas e muito aproveitáveis viagens. quero lembrar das fotos, das farras, das bebedeiras às escuras, dos parques, das caminhadas, do salão de jogos, da academia, dos tombos, de caldas novas, de parquinhos, de filmes fotográficos, de cozumel (muito cozumel), de insolação, de reação em cadeia, de edson e hudson, de corredores, de piscina à noite, de jardim japonês, de preparação para o carnagoiânia, de roubar cofre pra ir bebemorar, de tomar o primeiro porre e depois ir estudar, de ficar até 4 hrs da manhã fazendo trabalho e rindo do orkut alheio... hoje tá fresco! até consigo chegar a conclusões, reclusões e tudo mais. aproveito pra guardar essa minha lista de 7 amigos que não são de maneira alguma passageiros e pra desfazer-me dessa peleja de 1 pessoa que não merece nem o meu desgosto.

28.10.08

quebra-quebra (de rotina)

essa é a grande solução! e pra não ficar parecendo uma reafirmação clichê, basta se arriscar. não sei se você já experimentou, mas deveria. pois é lá onde mais me estresso o lugar onde mais me divirto. verdade que não é tão fácil: um dia você acorda às 06:00 e deixa tudo correr sozinho às 02:00, noutro você acorda ao 12:00 e deixa tudo correndo sozinho no mesmo bom e velho horário, às 02:00. e em pouco tempo, acorda às 05:00 e sabe-se lá. foi o preço que me ofereceram e que topei. juro que agora sou muito mais feliz do que ancorada em certas pendências.

26.10.08

que tal um fim (e até um beijo), saumensch?

e eu que já te escrevi tantas inflexões, tantas respostas, tantos desaforos, tantos desabafos.. hoje consegui escrever um fim. um fim à sua amizade forjada, um fim ao seu apego hostil, um fim à sua falta de sinceridade que não mais me afetará. um fim tão leve, que não me importará o seu julgamento sobre a grafia que a ele apliquei. talvez tudo isso tenha a ver com a descoberta de que ser feliz nada tem a ver com a capacidade do outro de medir tal intensidade. a loucura e o bem querer são as suas desculpas. de novo o tempo se fez herói. um beijo, saumensch, que você seja feliz - de verdade, e não como nessa sua farsa.

25.10.08

estampando o silêncio

"eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de deus. eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu." clarice lispector

27.9.08

dias a mais, e mais. e mais..

tem uns tantos contados no meu calendário. todos eles passando muito rápido e uma fortuna ficando para trás. já nem sei avaliar o meu tesouro. sei que corri atrás da fé, sei que morri dia após dia pra viver noutros seguintes. sei que passei séculos naqueles 3 segundos e que não quero mais os nosso vinte e poucos anos. não tenho saco pra músícas e nem para o meu ego cultural. quero mais que nunca o silêncio e horas de sono. preciso.

10.9.08

o meu setembro

eu sinceramente não sei. não sei o motivo de tanta comparação, não sei o motivo dos desencontros, não sei o motivo de todos os motivos. o meu setembro se partiu em sete e eu nem sei bem qual deles me faz melhor ou pior. o meu setembro às vezes me faz largar a rotina de acordar às 06:00 e ir dormir às 02:00 todos os dias só pra .. pra sei lá!

10.8.08

tanta saudade

daquele cheiro que eu usava na nossa época, daquele cheiro que me faz ter a nossa saudade. que às vezes me dá orgulho e medo de termos passado o que passamos, e mais saudade por saber que acabou e não volta nunca mais, nenhum dos nossos momentos. de cada coisa que eu passo, de todas as opiniões que me faltam, dos comentarios ironicos e das fantasias absurdas. medo de saber que mais cedo ou mais tarde vou precisar do seu ombro, de um conselho seu.. da sua amizade de novo! prosiar no msn não tem graça, não tem a menor graça dedicar meia hora do meu tempo pra ficar online e não te encontrar. dá raiva, dá saudade, dá pesar. eu entro e olho direto lá: 'sua dor está OFF LINE', 'sua melhor amiga esta OFF LINE', 'seu tormento está OFF LINE' e não tem jeito. um beijo e outros mais de tanta saudade, amiga.

27.7.08

dá pra rolar uma repressão daquelas!

pois é, talvez tenha sido isso. depois de acordar, às 09:45 no domingo, comendo pão com salsicha e coca-cola, cheguei a essa conclusão. e já que estou falando nisso, essa deve ser uma boa hora para se chegar a conclusões - não só a hora, mas o contexto no geral. me impressiona tamanha prolixidade, mas eu não queria ser diferente. talvez sim. talvez eu quisesse ter uma grande habilidade. mas poxa, eu não tenho nenhum dom artístico pra inventar uma parada legal de se pintar na parede do meu quarto (e nem coragem!), não tenho nenhum item que chame atenção em mim, não tenho a coragem do meu irmão pra pegar o carro e sair por aí, não tenho ânimo pra me embebedar num sábado à noite, e sei lá. acho mesmo que rola uma repressão daquelas!

25.7.08

eu não tenho sorte, né?!

é a sina gostar de coisas que não se parecem comigo. eu gosto mesmo de estar só, não tenho medo do inseguro, meu destino não é raro, eu preciso que seja caro e nem quero tantas dores sinceras de amor. "talvez fosse bom você desejar diferente."
quem sabe, né? vai ver que eu engano esssa sina!

9.7.08

ah, vai, manda aí!

não tem coisa pior do que se sentir traido. nem que não seja o amor da sua vida, é phoda! umas coisas tão sem emoção, sem direto algum a final feliz depois de várias atribulações. eu até toparia sentir se depois pudesse redimir tudo de uma vez só, numa noite só. faz assim, Deus, joga aí o homem da minha vida no meu caminho e eu aprendo todas as dores do mundo. ah, tá ficando sem graça já, essa coisa de não ter uma historinha pra contar, uma paixãozinha pra chorar, pra perder o sono. ah, vai, manda aí!

29.6.08

verdade, né?

todo mundo é tão feliz com as verdades que cria de si mesmo que às vezes dá pena escorregar perto e fazer rugir a verdade. mas enfim, em nome da felicidade: até a vaidade.fases. impressionante. e eu achando que uns acompanhavam os outros num mesmo cinturão, ainda que não totalmente fieis ao que se propunham - e na maioria das vezes acabavam ao cúmulo de não se propor nada. dá vontade de chorar, esperniar e agonizar a noite toda só por saber que a falta de companheirismo hoje em dia tá assim, tão grande. as minhas verdades não estão tão boas, vontade de criar umas. mas aposto, se eu tivesse quatro rodas ao meu dispor, dinheiro pra emprestar e umas coisas mais .. arrumava um bando de companhia! é foda!

22.6.08

excesso de desgosto não, por favor

mais um domingo, e conste que eu NÃO ESTOU COM TPM - embora pareça. será que é muito anormal querer as coisas do seu jeito, ou pelo menos de forma que não sejam totalmente contrárias?! tô com um cansaço do tamanho do mundo! claro, não é novidade. já me cansei de não fazer nada, de fazer tudo e agora tenho uma novidade: cansada de não ter as coisas do meu jeito. é foda amar tanta gente que te ama, mas que não faz nada pra te agradar. ok, é um fardo impossível de despejar e passar a vez. ok, eu preciso ser um pouco mais compreensiva. ok, eu só quero as minhas roupas como as deixei, os meus sapatos no lugar, os meus cremes tbm, os meus esmaltes idem, quero poder desfrutar daquilo que eu paguei com a merreca que ganho por trabalhar, pelo menos, 17 horas por dia!
só pra constar²: estou tão, mas tão nervosa por não ter um quarto só meu, um banheiro só meu, uma cozinha só minha, minhas roupas bem conservadas - só minhas, meus brincos guardados, meus saltos inteiros, meus tênis organizados, meus sapatos limpos.. meus shampoos intactos e toda a minha tralha só minha.. SÓ MINHA! não abro mão desse egoísmo, acho que mereço morar sozinha!

16.6.08

"tudo o que eu quero é uma vida de excessos."

ok, eu tô estressada. meus problemas estão a mil e tudo o que eu quero pensar é que são superáveis. aliás, já estão parecendo que sim. graças a Deus a mamãe tá otimista, e eu também. hoje faltei no 2º emprego e isso me fez bem pra pele. a casa tá arrumadinha (claro, saiu do meu bolso) e eu não consigo querer outra coisa além de fumaça, álcool e música alta. se eu tivesse coragem, e dinheiro no bolso, juro que matava essa minha vontade. no mais, dorme cedo, vai, marcella!

13.6.08

olha aqui, biscoitinho, te tratei mal pq você mereceu. lava essa maquiagem e mostra ao teu espelho um pouquinho do que você faz parecer mentira todo dia. ainda bem, sei fazer as coisas sem me arrepender.

8.6.08

conclusões de domingo:

- emagreça,
- perdoe,
- ganhe dinheiro!
- deseje saúde.

emagrecer eu preciso há tempos. perdoar eu até sei, mas queria uns complementos pra ver se consigo recuperar umas coisas boas. será que é recuperável? os dias passam e eu acho que não. ganhar dinheiro.. acho que, por agora, ajudava bastante .. tipo 98% dos meus problemas! saúde não me falta, quero para os meus!

4.6.08

joãozinho morreu de catapora, joaninha também. mariazinha, inconformada, não teve catapora. usou canetinha pra se encher de pintinhas, morreu de alergia à canetinha.

3.6.08



eu preciso aprender mais de Deus, porque ELE é quem cuida de mim..

25.5.08

só pra não perder o fio da meada

tem hora que a gente se vê querendo tanto uma coisa que até perde as estribeiras. um dia eu quis tanto querer. tinha que ter intensidade, e que fosse avassalador. tinha que ser assim. joguei tudo numa mesa e separei os afetos, os medos e os infinitos. os afetos sempre eram grandes demais e tomavam o espaço dos outros, às vezes ficava por cima, às vezes por baixo, mas sempre tocando em todos eles de uma vez só. e eu quis ter uma paixão, perder meu tempo com coisas de dois corações, quis lutar por algo que ainda não existia. perdi meu tempo, perdi até o ânimo e encontrei coisas novas pra lutar. não é a luta por qual me dispus, mas é a minha luta. e, desde então, saber que alguém que você ama muito (e que é impossível não amar) está prestes a se perder dos seus é a coisa mais triste e doída do mundo. e todos os anos, no mês de maio e nos outros 11, ela me diz da falta imensa que sua mãe lhe faz.. me diz da forma como as coisas seriam se não fosse o dia em que lhe faltou o sopro da vida. e agora, de hoje em diante, eu parei só de pensar. de hoje em diante eu sinto cada uma dessas sensações, esse medo de viver sem a minha mãe. viver sem as chatices, os escandalos, as preocupações, as danças, as comidas, os dias de fé e os dias de caça por ela. desde que tive o pé do lado de lá e os ouvidos de cá, pude entender que o clichê é o que move as pessoas. achei que talvez o câncer tivesse sido só uma passagem em nossas vidas, mas se não.. atravessaremos esse caminho. eu te amo tanto, mãe.

17.5.08

[...]

e se de repente te jogam a capa daquele mesmo livro, que há muito decidiu o teu final [in]feliz, nas fuças? chora por toda a dor física que sabe não fazer a menor importância e mantenha-se de cabeça levantada pra segurar a queda da tua fé.

15.5.08

anem

não faz a fina e fica olhando conversas alheias e depois fica tentando encaixar tudo na história que você pretende construir. ou destruir. tá certo que talvez isso já tenha se encaixado milhares de vezes em outras ocasiões, mesmo que você saiba que ninguém precisa e deve saber disso. tudo bem, você nem precisa construir uma história, faz aí uma orelha e depois joga no fundo da caixa vermelha, pra não passar em branco a intenção.

ps: eu adoro gente que entende o espírito da coisa, mesmo sem entender a coisa. :D

11.5.08

algumas coisas que preciso dizer

são quase relevantes. 1º: o meu tempo (aquele desperdiçado e aquele perdido), após uma reunião decidiu-se que me regia melhor que qualquer pensamento. tá todo tomado! bom ou ruim, eu quis assim. 2: eu tô irritandinha com essa paradinha de ter um monte de gente que me deixa intrigada e ansiosa pra saber quem é (e claro: por parecer interessante) mas isso não ser possível, ou pq o número restrito não deixa, ou pq o blogger não está me permitindo ver o perfil. ok, agora eu dou uma crise de nervos por isso! 3º: me admira muito esse meu retorno à hostilidade. não que eu não tenha sempre sido ou q seja uma novidade muito maior que qualquer outra q imaginem vindo de minha parte. mas ah, tá bom pra mim. e é claro, nem 1/2 pessoa irá conseguir entender à risca o que eu quis dizer com essas coisas q talvez não tenham se mostrado surpreendedoras, mas foi só uma enrolação pra admitir outra vez q embora eu esteja gostando muito mais do que estou vivendo agora ainda preciso dizer algumas coisas apontando o dedo para a cara dos leões, e outras delas precisam ser (des)embaraçadas fora da cabeça.

9.5.08

trégua

querida diabetes, VÊ SE ME DÁ UMA TRÉGUA!

6.5.08

desde aquela vez

certa vez respondi que sim a um rapaz, e quando voltei já tinha outra moça. desde que fui em paz não sei mais desses tormentos prazerosos.

3.5.08

me impressione com seu caráter

não perca o seu e nem me faça perder o meu tempo acreditando em meias verdades ou naquelas que você criou para parecer inteiras. se tivermos que cair no clichê, que nos ele nos sufoque se assim for necessário e sinônimo de lealdade. acreditemos que amor não se implora, mas se necessário insistamos naquilo que amizade se considera. mas não, essa de arrotar sinceridade e todos os instintos de uma personalidade que não existe me dá ojeriza, bem como para metade de quem reconhece 1% de escrúpulo. minhas palavras nunca pareceram bonitas ou significativas a quem se julga maior. ainda bem. e que pareçam sinceras a quem realmente é maior. mas PELAMORDIDEUS, pare com essa enojação de personalidade quando sabemos muito bem que isso não lhe apetece. não tenho o 'olho que tudo vê', mas sei muito bem sobre essa sua falta de caráter. eu sei. de onde tirei não importa, mas sabemos que isso não é um simples arroto de despeito.

12.4.08

agora, certeza

eu não abro mão das sextas!

29.3.08

só sei que foi assim

essa é a despedida. não quero mais todo mundo tentando adivinhar o que sinto, o que vivo, quem sou. nem quero me ver patética, exposta, aberta nessas páginas. eu sempre questionei tornar público meus escritos. não quero ser escritora, com e maiúsculo. nem nenhuma censura sobre os textos. principalmente a minha. e olha que aqui me interrompo muito pouco. você lê o que eu sinto. naquele instante, golfada, surto. mas não lerá mais. por enquanto não. vou voltar a produzir pra mim e tentar achar o brilho que acho que perdi. meus espamos sem justificativa. meus orgasmos inversos, cheios de dor. a angústia, tristeza, alegria de mim, coçando pra virar palavra. dormi mal essa noite. tenho me inventado muito pouco. isso aqui se tornou um formato de escrita cômodo, em gôndolas, fácil. e a mulher que enxergas dá volta nas próprias sombras, corre atrás de agulha no palheiro e tá sentindo falta de vida nas veias. vou sentar em cima da máquina de lavar, pular no lustre, andar de salto...até renascer por aí. não sei se volto. mas foi bom enquanto durou. até breve.
faço minhas as palavras de tati, do gabriela com café.

24.3.08

(entre parênteses)

tô sempre com sono, arrependida, cansada, insatisfeita. o sono só vem depois de muitas horas em claro, o sono vem quando não posso dormir. o arrependimento às vezes escolhe o momento de vir, às vezes vem antes e avisa, às vezes vem bem depois - quando acho que já não mais viria. o cansaço vem rápido e rasteiro, talvez nunca tenha ido embora. a insatisfação também, acho que esteve sempre aqui e sei lá o que fazer para mandá-la embora. eu só queria ser rica, inteligente e esperta. só!

20.3.08

aos que não dizem adeus

fica uma sensação qualquer de vazio quando coisas acabam sem que se possa dizer do fim. fica uma sensação duvidosa quando não se pode ao menos dizer adeus. num encontro, ao telefone... a todo momento coisas e pessoas vem e vão, e - longe de mim - querer ensinar sobre a saudade que fica e a razão que se arrasta por infinitos caminhos só procurando por um adeus, mas sim: faz bem para quem ouve e para quem diz. dá a sensação de tarefa cumprida.

17.3.08

my tears dry on their own

eu desfaço (e talvez disfarce) rancores, sei perdoar dívidas, sei desafiar orgulho, sei desapontar tendências, sei forçar cicatrização, sei amenizar dores, sei controlar desconfiança, sei amenizar descompassos, sei reconhecer falhas, sei suportar traições, sei interferir em desamores. mas acho que não sei esconder decepção. talvez seja tudo parte de um projeto pessoal infundado, uma grande auto-conspiração que não deu certo.

15.3.08

uma de cada vez

estive olhando uma das minhas listas. um punhado de coisas que não sei o motivo de estarem guardadas e outras tantas nas quais pude redescobrir o que de interessante encontrei. tem dias que são assim: faço mil coisas em poucas horas, tenho mil sensações em poucos acontecimentos. não é diversidade, nada eclético. é falta de opção mesmo. já faz tempo que ando reivindicando a independência das minha sensações. um certo espaço entre cada uma delas também não seria má idéia. acho que sou rigorosa demais.

11.3.08

afasta-te da tua ignorância

aprecio exageradamente a tal inteligência. sinto medo também. um dia me senti assim: à beira de algo que pudesse ser próximo à tal, e hoje talvez sinta como se além de não ter chegado nada perto eu ainda tenha me perdido daquele que seria o caminho certo para alcançá-la. confesso que sabedoria não me enche os poros e que talvez ache que inteligência seja muito mais aproveitável, pois não quero abdicar do exercício humano. mas sim, sinto que estou cada vez mais distante do caminho certo. cada vez mais distante.

10.3.08

toda a minha desilusão

é grande e intensa. mas gira em torno de mim mesma, quase egoísta. aquela fé que se deposita nas coisas fortes, a desconfiança sobre o que é mais forte ainda e sobre o que mais frágil venha a se tornar, a paz dos olhos, a brevidade dos passos e a certeza do destino. são milhões de motivos os meus e certo é que milhões são também os dias pelos quais me prolongarei em nome desse espaço cavo.

8.3.08

intrigante

acho que existe um largo espaço entre o que adquiri de sabedoria e o que realmente pude mudar com ela. tem também um outro espaço que diz exatamente a respeito do que quero que mude, mesmo depois da tal sabedoria. tem coisas que espero que permaneçam dentro de cada suspiro meu, mesmo os de lamento. então é isso: discordo de algumas coisas que a tal sabedoria nos leva a crer. a minha desconfiança, por exemplo. quero que fique, pelo menos enquanto puder confirmá-la. quero que fique, também, a capacidade de perdoar - embora não consiga esquecer. perdoar e entender que nem todo mundo tem para si a compreensão de que certas coisas não podem e nem devem passar em branco. capacidade de entender que certos assuntos são para certas pessoas, e assim deve ser.

3.3.08

ainda bem

eu tenho tido certa reconciliação com meus sentimentos. tenho deixado de usá-los negativamente, e isso tem me feito um bem absurdo. embora ainda tenha certos momentos de reflexão sobre atitudes tipicamente humanas, agora já sei perdoar e sei quando não é necessário tornar falhas em pecados. a intenção não é me tornar uma expert em relações, a intenção é deixar de sofrer tanto por expectativas mal criadas.

25.2.08

aquieta-te

hoje é dia dos solilóquios infindáveis, embora eu tenha perdido o hábito de externar algumas pendências minhas. é bem verdade que tenho optado mais por silêncios absolutos e que isso bem parece ser uma decisão, quando a desrazão já não aceita ser tão exposta assim. talvez seja. ainda bem que as pessoas amadurecem. melhor ainda quando algumas delas podem presenciar esse processo sem ter que interferir em nada. pensei noutro dia: não há nada mais digno num ser que a própria maturidade (sobre questões suas e sobre outras, nem tão suas assim). longe de significar uma comunhão do agir e bem pertinho de algo como realização individual a minha maturidade veio aos poucos, numa caravana e ainda "não parou de chegar". talvez isso seja bom. talvez não. ao menos sei que ainda não perdi o hábito de imaginar as mil faces de uma moeda quando só posso ver duas delas. verdade, quem sabe isso não queira dizer que já existia algo próximo ao conceito da maturidade que era possível ter quando cismei que deveria sempre lembrar da tal Lei de Murphy. lembro de ter cismado também em não dar moral para verdades inteiras de gente que tinha uma vida inteira de experiência e ainda assim não tinha credibilidade de nem meia hora. lembro de ter dado atenção e razão aos que não sabiam tê-la e de ter negado insistentemente quando era tão clara a tal. lembro de querer sempre manter as coisas na impessoalidade e em quantas vezes agi como se isso nunca tivesse sido um desejo meu. lembro das vezes em que tive que catar porções do afeto que tinha entregue a umas pessoas e que foram perdidos num instante qualquer, sem pê-ésses. lembro de quantas vezes busquei uma folha qualquer pra anotar algo que, ao certo, era importante e não deveria ser esquecido e como, nos 5 minutos seguintes, havia guardado tal importância junto das coisas que era importantes mas eram esquecidas. isso deve acontecer com umas 5 pessoas em 10. talvez 3 delas sejam absolutamente infelizes e se culpem pela felicidade das outras duas, talvez as outras duas trabalhem o resto de suas vidas buscando esquecer o que não puderam deixar lá, junto com as outras coisas, só pra ter um álibe. talvez a minha confusão um dia me mate de tédio, talvez isso renda uns bons frutos ao lado das coisas que não deveriam ser esquecidas e foram. lá, bem guardado, junto das coisas que não podem ser explicadas.

12.2.08

"Fico tão cansada às vezes, e digo pra mim mesma que está errado, que não é assim, que não é este o tempo, que não é este o lugar, que não é esta a vida. E fumo, e fico horas sem pensar absolutamente nada: (...) Claro, é preciso julgar a si próprio com o máximo de rigidez, mas não sei se você concorda, as coisas por natureza já são tão duras para mim que não me acho no direito de endurecê-las ainda mais."

10.2.08

momento

estou aqui, passando por um momento difícil e tentando atualizar umas coisas minhas enquanto consigo refletir/esquecer sobre. é só isso que sei fazer quando passo por um momento difícil, contar até 10 não foi muito válido. certas conclusões têm que ser rápidas. mas momentos como esses, não exatamente sobre a dificuldade mas sobre o assunto mesmo, são ainda mais cruciais e espontânos no decorrer dos meus dias. não acontecem [relativamente] com grande frequência, ainda bem. mas é frustrante, mesmo que não seja um problema diretamente meu. sempre passo noites ruins e revelo mais de mim do que deveria para terceiros. enfim..

7.2.08

pra não esquecer

tive um sonho, agora pouco, que não se encaixaria em nenhum dos meus planos de histórias em letras. era um sonho que só ficaria bom se fielmente reproduzido em cenas. talvez daqui a dez minutos eu não lembre da magia que o envolvia, mas foi um sonho diferente e eu quis deixar marcado aqui pra não esquecer que sonhei.

conformidade, conformismo e afins.

recebi hoje uma apresentação de power point por email e, embora eu não seja fã do gênero, abri só para conferir o meu lado crente nas coisas. a primeira frase era: "ESPERO QUE VOCÊ CONSIGA ENTENDER QUE SUAS DIFICULDADES SÃO APRENDIZADO E NÃO CONTINUE ACHANDO QUE O MUNDO INTEIRO CONSPIRA CONTRA VOCÊ". nossa, alguém acertou em cheio sobre os meus pesares, sobre o que eu acho. mas enfim, faz pouco tempo que abandonei a idéia de que eu é que tinha feito as coisas erradas e que tudo sempre dava errado por isso. então, vou engolir essa frase porque ela não me serviu - não neste momento, mas quem sabe um dia precisarei dela?! no mais, me deixe assim, com essa aparência de quem está sempre perdida e quer algo mais. não preciso mudar isso só pra que outros olhares se sintam satisfeitos. quero O MEU olhar cheio!

3.2.08

guardar do mundo

e eu, sempre tão imensuravelmente dolorida, agora estou tão forte. penso que talvez o mundo esteja realmente enfermo. (quem sabe seja por isso a cor do céu ultimamente) tem até super-herói abatido por aí. não que mereçam, não que seja absolutamente necessário, mas é fato. e como disse um alguém, que não lembro, num dia desses: "contra fatos não há argumentos". todo mundo é feito da mesma coisa, embora não pareça. talvez as minhas dores tenham motivos assim como as que qualquer um sente, ou não. às vezes as nossas dores merecem ser guardadas do mundo - só agora pude perceber.

1.2.08

precaução

tenho tido cuidado no reparar. cuidado para não me deparar com a minha intimidade.cuidado em ter momentos de pura solidão, cuidado em descer dessa solidão. cuidado para não desamarrar o nó que fiz no fim de cada dia. cuidado para não assoprar a distração bastarda que me governa os passos e me deixa intacta da razão. cuidado por todos os meus descuidados, que merecem continuar intocáveis - e também pelos que não merecem. cuidado com as linhas que leio e que penso. cuidado com o deixar de pensar e o esquecer de lembrar que pensei. cuidado ao mostrar os dentes, pode ser que eles mintam por mim. cuidado ao pensar em lavar a lama que ficou. cuidado em parecer perecer. tenho tido tanto cuidado!

29.1.08

desisto do ser humano

28.1.08

(menção à menina)

às vezes eu paro muito cedo para tirar as minhas conclusões. às vezes eu entendo o quão desavisada eu sou sobre a minha própria vivência. às vezes eu fico tentando mostrar a Deus o quanto eu tento, mesmo que isso não me leve a lugar nenhum. noutro dia, numa entrevista de emprego, ao sermos solicitadas a falar sobre um acontecimento engraçado em nossas vidas, uma menina deixou escapar (não sei se propositalmente ou se ela realmente precisava jogar isso para fora de si) que não conseguia se lembrar de um acontecimento engraçado. disse que a luta dela era tão intensa e tão antiga que só via sofrimento nos passos deixados para trás. a intenção aqui não é dizer sobre a hora propícia de um desabafo, mesmo porque tem gente fazendo isso a todo instante e de diversas maneiras. a intenção é uma auto-reflexão sobre a quantidade de gente que não sabe exatamente o que sente. muita gente mesmo. seja a supervisora que tem um semblante cansado e me abraça nos corredores do trabalho, mesmo que nós não sejamos íntimas para isso e todos pensem que ela é um carrasco. seja a tia que é auto-declarada depressiva e não faz nada para mudar, ou pela outra tia que não esteve presente num certo momento crucial e se dizia tão forte para certos "males da alma". hoje é tão mais complicado que uma simples indignação por ver o mundo assim, é tão mais complicado do que as lágrimas daqueles momentos sutis. tem gente sofrendo a todo instante por aí. sofrendo por um amor, por dor, por saudade, por fome, por medo, por dinheiro, por si mesmo. se eu pudesse colocar cada um dessas gentes na palma da mão, acolher da ventania, e depois estar junto pra dizer que tudo um dia fica bem. mas eu sou só mais uma gente.

27.1.08

de relance

noooooooooooooossa, estou ouvindo a música mais "velha da minha vida". que me faz me lembrar coisas literalmente velhas. eu amava a música, não gostava muito da situação enquanto era uma situação, época boa, medo bom, coragem melhor ainda. e agora só me resta dizer: NOSSA! além do mais, o tempo é condizente. quem é que não se dá ao luxo de ter lembranças? as minhas não são nada esporádicas. aliás, meus inícios de ano são sempre regados a inúmeras lembranças. quero fabricar umas agoras, pra depois.

18.1.08

difusão: vou-me para a Bahia

eu vou para salvador. aham, vou. ano que vem, encontrar pelo menos meia dúzia de pessoas que amo de paixão. tá marcado! pq embora eu não seja nenhuma fã de ivete sangalo (mas gosto, confesso), não vejo nenhum problema em experientar aquela cidade. aliás, comentei isso ontem com a Lila: ultimamente eu tenho me admitido tão facilmente. não sou nenhuma cocota_carioca_ de_shortinho_curtinho e barriga_de_fora, mas que mal tem gostar de funk? que mal tem gostar de um sertanejo caipira, ou daquele que fala de coisas que eu nunca vivi (é, tá faltando. estava discutindo isso com minha irmã, de 10 anos - que por sinal escuta muita coisa minha). juro, acho que não há mal nenhum. sei que são opções desertadas pelos 'cult' de plantão, que só querem saber de marisa monte e chico buarque (deste último eu nunca gostei, sem motivos, mas nunca gostei). mas né, quando eu chegar lá eles vão cantar pra mim: "ah, que bom você chegou, bem vindo a Salvador, coração do Brasil", é a condição!

15.1.08

a intimidade e o gostar

graças a Deus a primeira impressão não é a que fica! já até quis que ficasse, só pra guardar umas coisas boas de uns afetos incorrespondidos, mas não. não é assim. outro dia estava conversando com uma colega de trabalho - que por sinal não é nada do que eu imaginava. aliás, é. é muito mais. muito melhor. toda centrada, dedicada e parará.. um dia, numa dinâmica onde a gente saia distribuindo plaquinhas com adjetivos, ela me entregou uma com a palavra PAZ e me disse que sentia isso comigo. minha primeira atitude foi ficar surpresa, claro. e mesmo que não houvesse paz, é o que eu sentiria também sempre que estivesse na presença dela. coisas boas atraem coisas boas. quando a gente escuta muita coisa ruim de uma banda só, deve haver um motivo. pois é. durante o treinamento a gente se falava muito pouco, hoje em dia nos falamos diariamente e até tiramos pausa juntas. são os 10 minutos mais rápidos de nossas vidas, e os melhores do dia também! a gente conversa e não se aguenta de tanto rir. taí, uma pessoa que vai entrar para a lista daquelas em que não foi preciso intimidade para despertar em mim o gostar.

11.1.08

sobre visões

nada de sobrenatural. a minha visão do mundo agora é bem melhor, confesso. apesar de não ter nenhuma esperança reveladora, eu agora posso me dedicar à espera de que aconteça a qualquer instante. pois bem, humanizando a parada: eu descobri um jeito de aliviar a culpa por não ser exatamente o que querem que eu seja. tá, vamos por partes. desejar corresponder às boas expectativas é comum, tanto quanto se sentir ruim por não alcançar isso. ou não. vai ver que tem bem mais gente não se importando com a opinião alheia do que eu possa imaginar. mas, tente aí, pensar que tudo bem, deixe a pessoa pensar (e fofocar) por aí o que acha de você (mesmo dizendo o contrário na sua cara, de uma forma tão impressionante que até parece verdade) sem que isso te doa tanto.. mas colocando-a exatamente onde ela gosta de colocar (omitidamente) os outros . nossa, é quase algo tão íntimo (e quem sabe prazeroso) quanto a revanche que se planeja já sabendo que nunca será concretizada. obviamente isso é mais um silêncio incompreensível, com o qual eu já não tenho nenhum problema (e poderei dormir hoje sossegada) e nem me faz pensar no emburrecimento que pairou sobre algumas conclusões próprias. talvez esse silêncio seja menos burocrático e vazio do que algumas certezas sorridentes que são paridas por aí. o troco eu não dou, mas um dia esclareço isso. falei.

10.1.08

"hoje, pensei no mundo. depois te conto."

6.1.08

to be

nadou num 2007 incerto, mergulhou e secou-se. o novato dobrou a esquina há pouco e já correu um bucado. o tempo está passando rápido. agora a menina só quer banhar-se na luz de 2008: vai sair por aí e dizer que esse seu canto é exatidão. mergulhar nos dias e sê-los, com a habilidade de um recém nascido.

aviso aos depressivos, ex-depressivos ou qualquer um do gênero:

parentes, colegas, amigos de amigos, pré-amigos, amigos, ex-amigos. todos existem. e desde sempre vêm rotulados a não compreender qualquer doença de natureza psicológica. e mesmo que você se cure, terá imortalizado a sua incredibilidade doentia.

“Desconfio muito dos veementes. Via de regra, o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade.”

19.12.07

intitulada NOVA

deve haver sinceridade. exijo desde sempre. às vezes cumpro a mim mesma, noutras nem tanto. faço mil coisas dentro de um caminho que tracei até o louvável e, enquanto permaceço em suas dependências, descarto as pretensões de extraviar as intenções. o meu erro é desejar não ser lembrada pelo próprio erro, e assim acontece desvairadamente até que eu desista dessa mania de perfeição. e, por falar em perfeição, que seja descartada dos meus conceitos de admiração. perfeição pra mim, agora, é permacer em caminho tortuoso com as dificuldades de um caminho inócuo e ainda sim sentir o peso da leveza. e nas beiras desse caminho tortuoso deixo para trás essa intenção de acertar sempre ou de prender pensamentos. permanece a condição humana acima de tudo e a minha vontade de reconhecer tudo, a qualquer preço.

13.12.07

suicídio temporal

foi o que tornou a admitir-se. passa o tempo e não-raro encontra em si uma menina morta. ainda não tão raro assim, pemite-se voltar, revoltar-se. vivência. revigoramento é o álibe da menina e, neste momento, ela quer partir.

11.12.07

parecer: modo e verbo

parecer¹: a menina anda satisfeitíssima.
parecer²: a menina se parece com o zézim, e deseja sê-lo em dignidade. não tem nada do que reclamar, mas sonha todas as noites. não que isso seja um obstáculo, mas é diferente e ajuda no tremor das pernas e das pálpebras enquanto dorme. são 4, às vezes 5, sonhos por noite-quase-não-dormida e não vê nada diferente em nenhum deles. sê vê numa brancura de razões incalculável. dentre as desrazões conhecidas há o cansaço. e ela sonha em ser como zézim é: branco de espírito.

5.12.07

nota de menina

(ela acha que talvez o preço pago não seja exatamente válido para o que busca. talvez ela confunda não saber o que busca com o não-saber da existência do que busca)

as concretizações rasas da menina

há muito quis sair sozinha, ter uma bolsa grande e dentro afasias. saiu, cedeu. pagou o primeiro passo para o primeiro risco que correria de viver. amontoou-se numa condução qualquer, que (ainda) não a levaria para longe, parou num lugar pra lá de conhecido.. andou. entrou, vestiu-se de destrezas fúteis e virou gente grande: teria que pagar pra ver o próprio crescimento. andou, suou e soou mentalmente a melodia da menina de voz bela que há pouco conheceu. a cabeça ainda estava no lugar. parou, e almoçou o que (e como) sempre quis. recusou o refrigerante, e o sorvete preferido. tinha nas mãos uma agenda vazia de compromissos, e um tempo que custava a passar. levantou-se, pegou outra condução e foi-se.

3.12.07

os ventos da menina

há muito perdera-se na intimidade que impôs ao todo. não longe: viu que era, também, o todo. recusava entender cada um de seus sopros, mas os admitia - revoltos ou não. se pudesse dizer dos ventos dentro de si.. ainda assim insistiria em colocar a culpa na chuva, que um dia molhou os olhares que teve e depois de se envolver com o calor do coração sublimou-se (sem esquecer da inóspita razão). era chuva. até chegar a seca, era chuva. veio uma aridez maculada: aridez dos olhos, da desrazão, da brancura de espírito. não que a menina se incomode com as estações da própria alma. ela até gosta da chuva, do silêncio e do frio. elas nada têm a ver (e haver) com a tristeza que sente. talvez tenham colaborado na falta de desespero, em tornar plácidos os próprios ventos.

29.11.07

"a tristeza invernal"

pessoas nasceram para pessoas? arrisco algumas, algumas se arriscam e eu ainda arrisco dizer que certas pessoas não nasceram pra si e nem para o próximo. falta uma afetividade que eu desconheço e desejo, uma sensação de que assim está bom, e uma outra de achar que as coisas são como deveriam ser. há vultos que não saem dos olhos, pesares do pensamento, e um ar.. que entra e vai para não_sei_onde.. de tão vazio aqui dentro de mim.

27.11.07

a menina [4] [end]

a menina não tinha a vida como queria. e nem sabia como queria a vida. não sabia em quais das situações se focar e, por isso, vivia fora de foco. escolhera assim. escolheu também não se contar a qualquer circunstância. gostaria de permanecer no anonimato que criara, e ter gastos os sentimentos que recorreu por escolha própria. alguém escolhera pra si os dias mais leves. tem uma preocupação imensa sobre as conclusões que ELE terá sobre ela. dá um passo de cada vez para não passar depressa demais. não comemora os passos por achar cedo demais. ela morre de medo de enxergar de novo a verdade.

25.11.07

a menina [3]

a menina se ausentava, enquanto ganhava tempo para se esconder dentro de si. era a ausência pura e descomedida que ela temia e buscava. perdia os dons e os sons conquistados, e corria sob os ventos pareados aos pensamentos. e corria, corria. a menina tem uma dor que nunca sabe de onde vem. mas dói, dói tanto que às vezes se esquece que outras coisas mais lhe apetecem além da dor. esquece de cegar-se com o raiar do dia, de molhar-se mais com a chuva do que com as lágrimas e salivas que esmera. enlouquece com o silêncio que escolheu, e foge das palavras que lhe trazem encanto. aperfeiçoa-se na arte da desabilidade comportamental em relações afetivas. deseja tanto que não quer. não coleciona desafetos, mas desafeiçoa-se proporcionalmente ao desejo de iniciar sua maestria às funduras do racional. a menina se joga sobre tudo que teme, e acaba incrédula do próprio temor ao inescrupuloso. a menina teme o raiar do dia e as lágrimas do céu.

13.11.07

a menina [2]

a menina evitava saber de sentimento. mas sabia, sabia dos extremos. às vezes, batiam aos solavancos em seus ombros. admirava aos que evitavam intimidade por pura sabedoria. sabia que fazer escutá-la era tarefa absurda, paredes se tornavam grandes esponjas quando acontecia. abominava o caminhar dos olhos enquanto se colocava a falar. se abominava ao desencaminhar a auto-suficiência, tanto treinada e nada aproveitada. a menina começou a reagir e desistiu.

palavras terapeuticas

Birigüi, sambanga, circunflexo, bula, pilsen, vacúolo pulsátil, Guadalajara, fronha, indexação, pormenor, notocorda, emancipação, flerte, texugos, solubilidade, bigorna, candelabro, corticóide, ginco biloba, salmonela, bagatela, Estocolmo, dicotiledônea, curvilíneo, pomarola, sancho pança, MALEMOLÊNCIA, bauxita, bisteca, papoula, papiro, glicocalix, oligoqueta, cissiparidade, alfajor, MESBLA, minhocusu, guela, conchavo, geringonça, xibiu [...]

12.11.07

a menina [1]

a menina preferia solidão, embora não permanentemente. silenciava bem, como ninguém. tirava todas as pedras do lugar mesmo que tivesse que voltar para recolocá-las - e o fazia, constantemente. desfazer não era o seu hobbie preferido, mesmo que fosse qualquer pedaço de poeira: salgava e transformava em lama, bem rente a si.que o bem não atrai o bem e o mal não atrai o mal a menina já sabia, mesmo sendo extremamente supersticiosa.

7.11.07

o eu abismo, em primeira pessoa.

não. não tem nenhum pronome possessivo aqui. o assunto é pessoal, exageradamente pessoal. tem uma partição em mim. um abismo entre minhas partes. tá faltando a minha brecha de espírito, a espreita de paz, pra escrever. os meus vômitos de confissão estão contidos e apodrecendo aceleradamente. esse desassossego impertinente e involuntário, que não move montanhas em mim, vai acabar me derrubando os sentidos - que aos poucos ficam falhos e dormentes.

5.11.07

(des)abafos

eu estaria um maracujá, de tão murchas as minhas expectativas. mas sou limão, de ansiedade.
e por falar tanto em comida: comi várias colheradas de brigadeiro ontem, e depois pipoca (delícia!). houve uma conversa gostosa, uns comentários passageiros e uma alegria (aparentemente) idem. voltando à comida: odeio ser desprovida financeiramente e não poder, ter o corpo que eu não só desejei como também pedi a Deus. penso que meu casulo está desgastado e me desgastanto. capitalizei-me, envaideci-me, e agora sim: revoltei-me.
queria ter condiçõe$ de comer mussarela de búfala, tofu, ricota, iorgute natural com mel, coalhada (crise láctea!), salmão com alcaparras, sushi e encarar uma massa bárbara nos fins de semana. argh! quero dias menos nublado$$$$$$$$$..

2.11.07

ver-se

ando com medo da minha visão. com medo da miopia avançada, da esperança embassada, e daquilo que eu vejo e depois descubro que não é exatamente como tinha visto. fotos têm sido o caminho para o meu terror, tanto o terror de descobrir coisas piores quanto o de descobrir coisas melhores. a distância entre ambos sou eu mesma.


outra coisa que não me sai dos olhos (a cabeça não suportou a demanda) é o fato de sempre incluirmos o 'eu' dentro de situações alheias. irritei-me, não faz muito tempo, por conta disso. e, enquanto as têmporas explodiam de não-paciência, pude constatar que não raro sou eu o outro lado. acho que pelo menos em um milhão de vezes estive do outro lado, irritando. quão ruim é saber da própria humanidade.

29.10.07

sem muita vontade de muita coisa

só algumas.

queria uns dias menos tranquilos e mais certos. certos de certezas, de solidez e até rispidez.

agora parece que eu não sei mais usar, mas aprenderia fácil fácil se pudesse ter de novo ligações com direito a silêncios e sopros, ruidos e um esperar doído - que virava furor quando regado com um oi, mah, você tá ocupada? era bom pra pele e pros dias, fazia um bem danado mesmo que fossem escassos.. duas horas, uma vez ao mês, eram o meu descanso pesaroso (mesmo que meses se passassem sem um único oi daquela voz que metia medo e vontade).. o meu prazer e hoje é a minha saudade. saudade daqueles planos imaturos, mas que me faziam ter uma certeza imensa - quem sabe se verdade fossem .. talvez fossemos felizes, juntos e amigos sempre.

"mas você tem certeza?" (ele perguntava, umas mil vezes - a cada 5 minutos) .. "claro!" (eu respondia, 2 mil vezes - nos 5 mesmos minutos)

passaram-se uns felipes por mim - alguns pararam e fizeram muita coisa, tanta que nem sei mais onde guardar. há excessos de saudade em mim. saudade de um, em especial, que me fez sofrer junto.. que mentiu, e mesmo assim me fez gostar.. um gostar tão intenso e gostoso que me faria perdoar. menezes, muniz e um outro que eu nem sei se era felipe mesmo. ah, eu sou um poço de saudade que viraria um poço de perdão. tão reais e rápidos. foram-se.

ps: às vezes acho que os meus solilóquios não são tão sinceros, ensaio-os - por vezes.às vezes acho que sobra sinceridade, e isso acaba por me magoar. às vezes acho que viro outra pra suportar a insensatez, a sinceridade e o meu desapego.

27.10.07

músculo do pensar e do querer

deveria estar atrofiado para assuntos próprios, talvez para a literalidade porque os meus ares estão cheios de mim - flutuando nas impossibilidades minhas. dependência é o que eu abomino, é o que me enfraquece e persegue. impressionante. não quero tanto assim ser esquecida, preciso que os meus pesares estejam em dia - mas nem tanto.

tenho medo de não passar os meus dias feito num filme que vira sensação dos esquecidos. desejo pra mim um apartamento vazio de gente, a luz de um computador, músicas e músicas, ficar alguns dias sem comer, sofrer de um amor que não dure a vida inteira e nem a minha paciência toda, caminhar de manhã com o cabelo desarrumado, sorrir com flashbacks e viver um feliz para sempre que todo mundo imagina como um fim - mas ser vítima do próprio não-saber e viver vários 'feliz para sempre' só meus, sem pluralidade. (por que será que eu tenho a sensação de que vou 'pagar língua' enquanto escrevo sobre o que quero pra mim?!)

hoje é sábado, dia de prévias do futuro que quero pra mim. casa vazia, luz da tv é a fonte de energia. às vezes fico encabulada com a minha própria ausência, mas é isso que quero pra mim - não posso reclamar. capitalizei-me. penso que junto com os dias de vazio intenso quero também algumas cifras, pra alimentar os meus vícios: comida, leitura e música (e silêncio também. quem disse que não se compra o silêncio?). quero a felicidade de encontrar músicas legais, que dão vontade de escutar para todo um sempre.. sem parar: amos lee. é o tipo de música com a qual eu me imagino preparando alguma coisa pra comer enquanto vou assistir um filme que vai me dar sensações no estômago e depois adormecer, sem ver.


[alguns bastas, de bastar-se. pronto.]

26.10.07

cinismo ascendente

o solilóquio lírico me cansou. quero mudar, sempre quis. acho que os clichês também me cansaram. quero que outras coisas sejam realmente dignas de solilóquio. quem sabe aquelas das quais eu nunca tenho vontade, coragem ou ânimo pra falar. coisas menos ridículas que sentimentos. é, o lirismo me cansou (e, claro, o fato de nunca conseguir alcançá-lo sentimentalmente. parto para o cotidiano fresco e comum). querer alcançá-lo me cansou, nunca quis vestir o que não me fica bem.

25.10.07

no meu jardim de asfalto

nessa rua minha as flores escolhem os dias de murchar. pode não ser por bem-querer ou mau-querer, mas se tem que ser elas escolhem os dias mais cinzentos e secos. ontem morreu uma flor do meu jardim (que não escolhi, mas que cuido de olhar há quase 18 anos e vivo dele as emoções. sou sentinela.). era a matriarca e passou verões e invernos rígidos, mas "primaveriava" como ninguém. e por sua rigidez vital é que sopram os ventos do meu coração por essa flor, que não murchou: desprimaveriou.
noite passada choveu, alagou-se o meu jardim de dor.

o meu humanizar

os meus silêncios às vezes se calam, também, por opção e não há sentimento que os façam abrir-se. os meus ventos viram sinfonia, as palavras ventania e a coragem: melodia. continuo por afogar-me em indagações (e elas em mim) e tentar-me em não-supertições. são coisas minhas e comigo ficarão, mas posso um dia não estar com elas - que eu esteja preparada para isso. frequentemente penso em me perder, em me fazer perder as coisas que já ganhei e em não me permitir ganhar coisas novas.. só pra não perder. é humano.

21.10.07

permitir-se

é fato: devemos nos permitir chegar ao fim.

15.10.07

ah, nem tanto faz.

aprecio aos que buscam preenchimento de ausências com outras coisas. aprecio aos que fingem a não-ausência. mas os temo, muito mais que aprecio. temo percorrer a proximidade e cair na vala dos conhecidos. temor é o meu fraco. mas eu sei e tem gente que não sabe. sei o peso exato de dias ociosos: é quase tão pesado quanto os dias turbulentos. às vezes mais amargos, às vezes mais lentos. eu sei das minhas coisas e até das alheias, sei o quanto gostaria de mexer os meus pauzinhos e fazer tudo parecer com o nascer do sol.. dizer a cada um dos meus sois o quanto os quero e preciso, próximos e intensos. a proximidade pra evitar a saudade e a intensidade do vazio. mesmo que abandone e retome milhares de vezes aos meus, retornarei a elas todas as noites.. pois são todas elas o meu eterno abrigo. a cada estação: do rádio, do tempo ou da alma.. estão em mim, muito mais que comigo.

4.10.07

gabaritar-me-ia?

o meu gabarito é o menos consensual. longe de alternativas ou induções a verdadeiro ou falso, ele é cheio de parênteses - esses vazios. avalio e sou avaliada sob as condições de expectativa e expectadora. sou a cega perdida e afogada. faço planos que são perfeitamente cabíveis ao próximo, e embora sejam meus.. não se encaixam em mim. sou quase empreendedora no assunto. fali antes de começar: é o meu diferencial. e fica tudo absolutamente bem enquanto há quem os viva para mim, depois que disso avistar-se o fim.. haverá silêncio e desespero. quase creio que é esse o momento, é tudo muito parecido.

1.10.07

a dor da perda

se tem uma dor a qual me arremeto é a da perda. ela bate e fica. da dor da perda daquelas mil sensações que eu tinha enquanto sentia dor. a dor de pensar em quem eu fazia sofrer enquanto sofria. a dor de não saber o que fazer pra não fazer sofrer. é uma dor que fica e não passa. não passa e se mistura com a dor de não saber o que é pior, com a dor de ter caido no esquecimento. mas um dia, seja lá quando for, vai ser só dor e vou olhar de longe para ela, como quem não faz nem idéia do que seja. e o esquecimento vai se afogar nas próprias águas. e vai ser só dor, a dor do esquecimento - de novo.

26.9.07

junção do nada e o preenchimento do vazio

pode ser que ter medo da coragem que se sente seja normal. em todas as minhas conversas, em sonhos, com os que se foram estive absolutamente lúcida. é lá, dentro dos meus absurdos e absolutos onde melhor e mais segura me sinto. é quando sou e estou dentro do meu vazio completo, e complexo. o meu caminho é um ponto fixo ao chão. um ponto, redondo, para ao menos dar a sensação de que estou partindo e voltando ao mesmo lugar. mas existem grandes verdades em meio a grandes sentidos: eu não me movo. não movo as minhas expectativas e os meus segredos. são sempre os mesmos.
difícil é dizer as minhas verdades e fazer parecer acaso.

talvez eu queira

às vezes a minha luz é a sua escuridão, pode ser que o seu caminho seja a minha perdição. talvez a sua solidão seja a minha solidão. mas talvez hoje eu queira estar sozinha. é difícil, e até constrangedor, tentar falar muito sendo alguém que preza a brevidade. mas é necessário, às vezes, que permaneça claro que há por aqui grande adoração por longividade. e é disso que pretendia falar ao começar a escrever. longividade não de extensão, mas talvez sim. parece assombroso falar de fim, eu particularmente não gosto, mas é também bastante necessário. por que? porque tudo tem um fim, as pessoas desistem, os finais felizes atencipam ou abstraem-se. é normal. há pouco descobri que há em mim, também, admiração pelo fim. além de necessidade. e os dias me são possíveis apenas quando consigo terminar os anteriores, no mais: se juntam e tomam forma de projetos frustrados e infindáveis. ainda bem que existem os fins, morrer todos os dias é o que me faz viver. talvez eu queira continuar assim.

de longe ela é minha

há algum tempo eu quis dizer mais da felicidade. e esperei até que o céu se acalmasse, mas nunca se sabe da vontade dos ventos. mais do que uma palavra de sonoridade esplêndida, me faz ficar horas e horas pensando. me imaginando a pessoa mais infeliz do mundo, e depois.. tendo surtos de esperança. há algo que eu sempre quis mais, e mais, poder dizer. algo, ainda, sobre a felicidade. sobre o como sou feliz em observá-la. realmente feliz. muito mais quando suas vítimas já estiveram dentro dos meus planos de felicidade conjunta. é isso. não é mais tão estranho. sou feliz por ver a felicidade. mesmo que só de longe.

até que eles voem

até que eles voem. é assim que vou continuar: dissertando sobre toda e qualquer palavra que vier a me calhar, até que meus pensamentos voem pra bem longe e me dêem o gozo de viver. e me recuso juntá-los como quem supõe que tenham algum sentido juntos. às vezes me sinto tão vazia quanto o céu. e acho que o meu maior medo em organizar as minhas coisas é o de, ao terminar, não ter mais nada o que fazer por aqui. deixo tudo assim.

curáveis

todas as minhas dores são curáveis. foi o que eu disse ontem quando uma dor qualquer resolveu aplacar meus pensamentos. e é lá onde elas mais doem, no pensamento. já se sentiu como se finalmente uma série de explicações abortassem todas as suas esperanças de alguma coisa? me perco total e absolutamente quando tento transcrever o que se passa nos corredores vazios que levam meus sentimentos do peito à cabeça. e mesmo que tenha vontade de escrever até desgastar os dedos, sentido algum realiza minha satisfação em relação ao que verdadeiramente penso.

pensar longe e encurtar-se

eu devo me enganar. é esse o passo mais próximo que devo tomar para chegar a alguma absolvição. ou não. é sempre esse dever que pesa. o pesar, o pisar. o dever. o pensar longe me deixa áspera e curta. nunca foi diferente. mas eu? eu faço de novo e me transporto para qualquer instância que se declare mais afastada. eu fiz denovo, nada de novo. a dor, quanto maior, se diminui. mesmo essa, na cabeça - que escorre peito adentro, enquanto a música alta estoura a paciência.

carmas e armas

o carma humano é muito maior do que enfrentar a morte. enfrentar e rejeitá-la. ainda mais quando se torna algo próximo à morte do próprio querer, das próprias circunstâncias. é interessante que algo venha a tornar-se mais do que um obstáculo que não se pode ultrapassar. é interessante que consuma tanto tempo que não deveria ser simplesmente gasto. e tudo isso só haverá sentido quando eu souber o porque de deixar-me perder dentro dos pensamentos mais valiosos até que eu consiga simplesmente não superá-los, será a minha arma. faz parte da minha morte. talvez não faça sentido que alguém que se absteve tanto do mundo exterior não tivesse tantos dons com as próprias palavras quando delas se pronunciasse. a intimidade com a intimidade alheia sempre me foi mais cabível. a minha intimidade raramente me interessa. raramente me bonifica. mergulho tão facilmente na atmosfera alheia que me perco ao procurar a minha, mesmo que isso não signifique desistência. mesmo que isso não signifique que não haja intimidade própria. o excesso também nunca me foi suficiente, me escapole pelos dedos. os meus próprios excessos, os meus próprios dedos. eu me sou insuficiente.

opiniões

os meus olhos têm a alma arregalada, surpresa e estúpida. eu me perco com as minhas distrações. eu me distraio com as minhas perdas, desnuda de emoção e empolgação. eu me perco. outra vez, do lado de fora. e você sabe, nem sempre curas significam muita coisa. opiniões: eu não as mudo. essa é a minha opinião.

de um dia, que num outro dia, foi ontem

foi assim, mais ou menos às 03h do dia de ontem: era a ausência, de luzes e gente, e a presença de coisas que não existem. e eu nunca me senti tão calma diante de tantas coisas assim, tão perto de mim e tão longe de tudo. e ali, sozinha e no escuro, cheguei à conclusão que essa sinfonia de saudade significa muito mais pra mim e que sem ela eu nada seria. significa que um dia eu tive sonhos que, talvez morreram, mas que um dia foram absolutamente reais.

24.9.07

tristonhando

o que triste fica e faz em mim são as formas. a forma rasa das coisas e das pessoas, pra não dizer dos sentimentos! o que triste me faz é a minha própria dedicação que não consegue alcançar onde deveria, e fica por se perder em caminhos que eu não sei quais. o que mais me deixa triste são os meus arrependimentos e os não-arrependimentos, que ainda não sabem a hora certa de ser e estar. desolação é lema pra mim, ainda mais em meados de aniversário de quase-morte. eu tenho uma memória tão aguçada, quase presságica!

23.9.07

verídico e fatídico, quase redundante.

a gente perde o que não tem. verídico e fatídico, quase redundante. houve uma vez uma menina triste e sua ausente despedida. houve outra vez um menino triste, ausente e doente: outra ausente despedida. houve uma vez, outras vezes, outras somas e outras lamas. meninos e meninas com música e tristeza na cabeça tão presentes como em mim mesma. houve e haverão vezes. mas haverá desprendimento e alforria de cada um desses lamentos. as minhas rimas estão soltas, entregues a quem quiser para si pegar e não abandonar.

redução

dos dias a mais, dos dias de paz, dos dias de histeria e até alegria. reduzir as desculpas todas do querer e do falar. reduzir esse calor e deixar, enfim, chegar o inverno a mim. esfriar todos os ânimos e pânicos. reduzir as memórias, os cem anos que imaginei necessários para conduzir-me ao esquecimento. quero ser falha o suficiente para não lembrar e fazer lembrar. reduzir a idade dos meus sentimentos, dos meus pensamentos e consentimentos. reduzir os mil anos de explicação que pensei em dar. reduzir a fuligem de uns sonhos que brasa já foram. reduzir e terminar o meu morrer de ontem e dos dias atrás em que esqueci de fazê-lo. reduzir os dias que chorei para que ninguém mais o pudesse fazer. reduzir a certeza de que o que fica é o resto de amor. reduzir essa noite tardia que não passa nunca. reduzir a compensação das saudades. reduzir essa desconfiaça de tudo que sorri. reduzir essa vontade de terminar o que um dia eu não tive escolha pra fazer.

18.9.07

perdidas e separadas

eu gosto de coisas perdidas e separadas. eu gosto de tantas coisas que às vezes fico em dúvida sobre o gostar e sobre o que gostar. aí eu me separo, me reivento, me sopro e me subo. escalo cada pensamento e deles tiro algumas palavras, vírgulas, traços e rastos que serão parte de um outro pensamento.. quem sabe se com a mesma intenção. eu mesma ainda não sei, mas deve existir uma intenção maior nisso tudo. eu não sei, mas quero viver antes de saber.

17.9.07

o desistir


é forte, salgado, pesado e sagrado. não adianta, é! talvez o meu desistir esteja tão acompanhado de mim quanto dos meus arrepios, exageros e sossegos. e enquanto, durante e depois de ele chegar.. eu sei: estarei perdida numa galáxia de nostalgias, nunca fui boa condutora de esquecimento! as minhas quedas (livres e aprisionadas), o meu passado amarrotado e o meu presente desgovernado - que de presente não tem nada. eu desisto desses dias de zelo ao velho.

14.9.07

caia, sobre o que for, caia!

por vezes deixo que meu céu caia sobre a minha cabeça, e há então uma crise de 'meus' derramados e espaçados. sou desacreditada, é a maior verdade em mim. vivo amores e dores, e sou desacreditada. eu não sei dos meus destinos, dos meus horrores e dissabores. eu devo ao mundo os meus dias mais claros, devo irradiações e estalos. devo, às vezes nego, nem sempre quero! enquanto isso, continuo com a minhas palavras, silêncios, sorrisos, falseios, hiatos, contando casas, brasas e asas...

13.9.07

dos silêncios nossos


dá uma saudadinha! aperta e fica batendo, nos ouvidos, na cabeça, nos olhos, na dormência do meu coração! eram poucas, muitas e só nossas aquelas palavras (que mais pareciam gritos) e os silêncios que só nós sabiamos compreender. seria como um coração apaixonado que busca em outras paixões - um amor que não se pode substituir. e, embora eu tenha coisas do gênero tão tranquilas quanto o meu amor por você, não consigo encontrar nada substituível. ainda bem! mas eu sinto falta, uma saudade, umas verdades. e o seu silêncio de agora é absurdo, gigante e entorpecedor. eu preferia os de antes, embora eu tente entender - dessa vez também - o teu silêncio. mas faz tanta falta..

12.9.07

uma nova cabeça

eu quero e preciso de outra cabeça. quem sabe uma com menos gigas, menos memória ram. eu quero uma que não tenha capacidade pra pensar tanto em besteira e em coisa boa, isso me surta. eu surto sempre, e com qualquer coisa - mas agora tá demais! eu quero outro processador, e pode até ser uma daqueles que me encoste na parede e me pressione, me processe e me acuse. eu quero, porque sempre adoro excessos. mas agora eu quero excesso de paz na minha cabeça - pode ser só nela. quero pouquinha coisa e todas muito bem resolvidas

11.9.07

viagens

o bom é sair de casa, deixar pra trás a rotina de todos os dias. ir em busca de um alguém que te deixa irritada e tranquila, ao mesmo tempo. deixar, de uma hora para outra e sem muitos planos. só deixar-se ir. e, depois, encontrar-se em qualquer uma das personalidades que encontrar pelo cominho. encontrar e deleitar-se em histórias que são suas para todo um (e desde) sempre. e enquanto busca encontrar-se, deixar perder-se. é necessário, acredite. é deixar o próprio eu ser parte de cada uma das quarenta e poucas pessoas que vão junto de você para um lugar que não o seu - mas na mesma direção. ceder à gorda escandalosa que vira um encanto quando se elogia a neta ou o filho, que são de mesma idade e lindos! ceder ao garoto simpático que chega e cede à moreninha falante. ceder às duas meninas do norte, que vão felizes e empolgadas para a capital do país. à moça loira e popular que amizade faz com a moça de óculos, tímida. ou, como de praxe, ceder à moça ao lado que volta para casa descontente do tráfego aéreo, cansada mas simpáica. é quase saber da vida de todo mundo e contar-lhes a sua própria, deixando-os imaginar que aquilo pode não ser nada.. mas é a sua vida, toda ela. gosto desse gostinho de ser eu sem que saibam que sou o eu que faço sumir quando estou chateada, que sou o eu mais completo de todos os momentos. gosto!

5.9.07

o meu querer

eu quero os meus momentos breves, a minha ausência de consolo e os meus dias turvos. quero e me basta. quero para jogá-los de um lado ao outro sem perceber o quão importantes são. quero, para alimentar cada um dos meus justos desejos que às vezes não são nada. desejo tudo e tanto. nada. quero que não entendam e nem tentem, quero só a mim: loucamente. acostumo-me, deleito-me em meus desejos curtos. prefiro ausências. agora sim, prefiro-as. ausências minhas. minhas, de mais ninguém!

4.9.07

o bastante, por agora.

ando absolutamente atarefada de pensamentos. completamente ocupada em decidir se devo ou não pensar, decidir e refletir. e o tempo só consegue tirar isso de mim, ele mesmo e o que eu perco enquanto me perco dentro dele. as minhas carências, caridades e exigências. nunca se esperou tanto da própria solidão como o está a acontecer. a minha praticidade está atolada e, agora, enferrujada. sou, estou e espero o que menos quis um dia. desertos de mim, em mim e por mim. é o bastante!

3.9.07

os meus fins

os meus paradoxos rasos, raros e sombrios. as minhas ausências. a minha sapiência. os meus moldes, toques e retoques. os meus dias! me encho tão rápido quanto consigo fazer todos os meus planos de vida, e também com a mesma rapidez em que se tornam planos de um só dia ou quase-planos-de-qualquer-coisa. a minha paciência encardida. os meus dias tardios, as minhas tardes vazias. os meus eus, e eu. os meus dias! de fato, presencio e morro todos os dias. mas isso não é mais o que me mantém viva. isso é o que me mantinha. a minha vivacidade é plena, agora. é plena de uma imensidão que não me ousam os lábios dizerem motivos ou razão. é plena até que se finde, sem explicação. e depois, será ainda. mas será também a plenitude, a minha real e literal plenitude. e então, serão belos todos os meus fins. de tarde, de dia, de agostos, gostos e agonias. os meus fins.

29.8.07

benefício da dúvida

mas é que eu ando tão distante de mim que às vezes esqueço de me alcançar. e penso que talvez alguns mereçam realmente o benefício da dúvida. talvez esse mesmo benefício os ajude a compreender que acordar todos os dias com o vazio preenchendo-se nada tem a ver com observar todo o mundo completando-se.

26.8.07

carrasco do mundo

eu quero muito, muito mesmo, ser o carrasco do mundo. quero castigar tudo e todos por todos os sentimentos perdidos, por todas as deixas que se deram se ao menos perceber. mas eu já passei da hora. venci os meus minutos e a minha paciência. o meu castigo vai ter o mesmo gosto de todos aqueles que tentaram também castigar, funcionando ou não. eu vou sair e um dia não voltar, mas chega. chega de surtos insólitos e pensamentos rasos. qualquer dia da semana há mesmo de ser primavera, em qualquer uma das estações. e quando eu não quiser mais, jogo todas os sons e flores pela janela e abro as minhas próximas portas. é isso.

25.8.07

redundâncias importantes

parece redundância, mas: não conte NUNCA seus planos a ninguém. de preferência não os faça. aja por impulso, as possibilidades às vezes dão mais prazer do que o esperado. já as probabilidades de fracassar são grandes e quase absolutas, antes mesmo de um princípio, quando arrisca-se o compartilhamento. aja na companhia dos seus nem-sempre-silentes pensamentos e agradeça-se por tal. é o mínimo que você pode fazer por esperançar-se. realmente se é muito mais feliz com disfarce de solidão. feliz só por não ter se atingido com a distração fugaz da não-solidão. mas como isso acontece todos os dias, pode ser que o seja sempre não-feliz. pra não dizer triste.

24.8.07

o eu da vez

sou tão passageira quanto a maioria dos meus pensamentos, que vem e vão. por isso passageira.sou e já fui muitas de mim, de outras muitas e poucas. e agora, no meu momento de quase-janaina, sou a que diz que apesar de tudo tem sonhos e que um dia há de ser feliz. e sou tão pequena e tão grande como todas as outras inspirações de músicas que traduzem realidade em melodia. sou, por pouco, só a melodia, sem piques e repiques, sem os pontos coordenados e letras maiúsculas. sou toda a uniformidade indisponível à vida. sou os meus minutos e dias de transtorno vulgar, de retorno e de consolo.

22.8.07

amanhã é vinte e três

amanhã é vinte e três, e eu não tenho nada para lembrar a não ser a fatídica constatação temporal da qual a Toller se referia. eu lembro, todos os anos. e é estranho me ligar tanto a alguma coisa que nem minha é. aliás, isso é de praxe. eu me ligo, entrelaço, amarro, dou nó e não quero largar nunquinha. um espetáculo de carência de coisas próprias. pego situações emprestadas, divirto-me, frustro-me e sou feliz com elas. pena durarem pouco. mas eu sou caçadora. caçadora de situações alheias enquanto a minha vida acontece com uma estampa escrita em simples e grandes letras que indicam CONSTRUÇÂO. amanhã, vinte e três, terei perdido vinte e três dias e vinte e três sentimentos diferentes, não mais e nem menos do que perderia em vinte e três segundos de alegria. não mais do que eu perdi nos vinte e três dias sem vinte e três pípulas de compressão à dor, pois ela voltou e não quer discutir a relação. quer todos os dias perdidos, e o quanto antes melhor.

21.8.07

confissões, curas e percepções

há de confessar-se que a cura para todas as dores não encontra-se num único frasco. e que você pode não ser a pessoa exata a medir e tampouco mediar alegrias e sofrimentos. mediar não, mas quem sabe estar sobre os extremos de cada um deles.. quem sabe! quem sabe, talvez, você não seja a exata dor ou a exata alegria? e quem sabe quando isso passa? o pouco que se sabe é que espera-se o tempo necessário por uma conclusão que se encaixe dentro da exatidão. o que feliz nos faz nem sempre o é de fato. há dias em que irá perceber que planos são muito mais prazerosos do que o concluir deles mesmos. o ser humano é assim, vive de ilusões, e ao tornarem-se realidade perdem-se. perdem-nos, e os perdemos - os sonhos.

18.8.07

afinal, ao final..

hoje uma lagrimazinha vai chorar dentro de mim. é, eu consigo. consigo até fazer lágrimas chorarem. acontece isso e assim quando eu sinto essa saudade doida batendo no meus dias, como se não fossem passar nunca. como se chocalate algum pudesse tapar a minha solidão. dias passam, outros não. e na medida que nos encontramos, eu e cada grão de solidão, somos juntos uma imensidão. somos mais, e às vezes menos. mas somos sempre, sem deixar passar um dia que seja. às vezes a eternidade nos passa ao lado, esbarra e, por hora, pode até nos confundir. é uma espécie de confusão mútua. os sentimentos confundem-se e confundem-nos. perdem-se todos. perdem as conta e as somas. mas mesmo que no fim o saldo seja devedor, há de existir credibilidade por alguma das noites passadas em claro. seja qual for a consideração. que exista e que releve essa minha vontade de colocar coisas óbvias em tudo, embora nunca o consiga fazer. páro, mais que de imediato, e volto. apago. risco. pulo. perdi as contas dos arrependimentos e das vezes que prometi não fazê-lo. perdi a conta, e a soma, das vezes todas de tudo.
afinal de contas, ao final das contas eu ainda sou eu.

15.8.07

abrev.

não gosto de abreviações. mas há espaços em que caberiam perfeitas e calmas. não aquelas em formas redondas, mas aquelas frígidas como meus pensamentos. abreviações. de existência, e das minhas mal tomadas providências. abreviar os espasmos e os espaços, que insistem no vazio. pessoas como eu têm desejos absolutamentes semelhantes ao de qualquer outra pessoa, mas não passam de desejos. se fossem realizados não seriam mais tão tocantes como enquanto apenas desejos. pessoas como eu, tem em si traçado o risco e a melodia - e os acordes silentes dos grãos de temporal.

14.8.07

intuição da substituição

substituição. existe desde sempre. é pedir aos olhos que lavem o sal no rosto. é como não saber que certas coisas estarão sempre conjugadas, embora não se queira. é como, inclusive, saber e continuar o fazer. aliás, fazem-se dias e noites. fazem-se até sorrisos das substituições. mas fazem também frustrações. e são maiores, mais intensas e sem norte. é toda a história das mil vezes felizes dentre um milhão delas sem cor. dizem valer a pena. mas deve restar, também, a pena. eu tenho um começo que em segundos se torna fim. a cada 10 minutos, tenho outros começos. tenho outros fins. às vezes justificáveis, às vezes intermináveis. são todos meus e, não raro, abro mão de cada um deles - que fogem incessantemente e retornam dormentes e, em poucos passos, se tornam rasos e eternos. dizem, os meus momentos, que existem regras que me tornam substituinte e substituída.

13.8.07

parágrafo único:

mãos e pensamentos inchados. e um tempo que não os suporta simultâneamente.um tempo que não se cabe de liberdade, e que se doaria a qualquer segundo perdido..por outro achado. é aquilo que às vezes bate à porta do pensamento e sai sem se hospedar.é aquilo que te faz saber exatamente como a solidão lhe cai bem em todas as horas, e que companhias são parte de tentativas ilusórias. não foge à ilusão. é sempre ela. é o mesmo que entender qualquer daquelas frases descontentes sobre o passado e decidir que, em alguns instantes, elas lhe cabem perfeitamente. tão passado quanto música. legião delas. elas em legião. é saber que angra dos reis é sua, mesmo que não venha a conhecer nunca os ares que por lá circulam. você sabe que os dias vão ser sempre iguais, mas ainda continuam sendo dias. vai ver que não é nada disso, que já não sei quem sou. vai ver que eu nunca fui a mesma. que nunca fui dona dessas palavras e desses pensamentos que as perseguem até que não tenham nenhum sentido léxico. e voltar, ao fim de mil pensamentos, e descobrir que não se sai de lugar algum e tudo não passa de um único parágrafo. o meu parágrafo: sem letras maiúsculas, espaços, adornos, verdades, mentiras e saudades, e apenas um..

 

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