23.1.10

vontade imensa de chover.

acontece isso quando eu não sei o que fazer. e não saber o que fazer compreende a maior parte dos meus momentos. porque vontade de chover eu também tenho quase sempre, mas faço o favor pra mim mesma de deixar passar. e aí que eu transpareço uma arrogância que eu não tenho, faço o que teria normalmente o pavor de fazer e sim, não tenho controle algum sobre a expressão dos meus sentimentos. mas aí tem hora que eu lembro que o meu inferno astral lateja constantemente e não passa. aí eu só quero chover. numa noite de sábado, com a casa cheia de gente, o quarto escuro e os meus pensamentos mais sozinhos que a minha razão: eu só quero chover, pra dentro e pra fora, sem medidas, sem controles.

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19.1.10

dez

em dez dias: um encontro. em dez segundos: nem dez palavras. em dez milímetros: aproximação. em dez versos: música e afeição. entre dez amigos: um pedido atendido. em dez dias: um romance quase correspondido. às dez horas: visita rápida. dez minutos de bobeira: dez minutos para o fim do começo. dez vezes: o mesmo pensamento. dez desculpas: dez rejeições. dez pedidos: aceitação. dez meses: 7 meses de namoro. e de lá pra cá um eternidade se passou dentro de 1 ano e 9 meses. tenho mais de dez motivos pra amar, mais de dez motivos pra querer dormir e acordar todos os dias junto, mais de dez motivos pra querer a companhia constante, mais de dez motivos pra querer ter por mais de dez anos. muito mais.

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14.1.10

hello stranger :)

eu sou muito mais limpa com estranhos. isso aí, jogo limpo, falo a verdade, me dedico total pra ajudar estranhos, não me limito a nada quando o outro é alguém que eu simplesmente não conheço.
e isso faz todo o sentido pra mim, principalmente levando em consideração todas as lambadas que ganhei dos conhecidos. porque quem a gente ama é mais complicado mesmo. porque conhecer uma pessoa te faz inversamente proporcional ao que você deseja receber em troca de alguma caridade, afeto ou em troca de nada - só receber.

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12.1.10

mudei

pensei muito nisso nos últimos tempos. eu não era assim, tão humana. eu parecia de outro mundo e isso era muito exagerado. ou não. eu não tinha medo do escuro. eu não tinha medo de estar sozinha, eu até preferia estar sozinha. eu não era nem um pouco mulherzinha e bicho nenhum me metia medo. não me preocupava com o destino dos meus relacionamentos amorosos sempre fracassados por nada, felizes e fracassados. não me preocupava com a minha preocupação das amizades mal construídas e mal firmadas. não me preocupava com nada do meu futuro além de morar sozinha e era só isso. e hoje eu tô lá, na escala dos seres humanos medrosos e confusos. eu sempre estive lá. mas agora eu estou só lá. tenho infinitos medos sobre o meu futuro, medo das pessoas que se tornaram as pessoas a quem eu muito amava, medo de não ter coragem de tudo, medo de estar sozinha, medo de fazer as coisas sozinha. eu não sei quando foi que isso aconteceu. talvez segundos depois de cada uma das minhas descobertas desumanas, talvez não. eu sei que não tem pouco tempo, embora pareça ter sido ontem. humana demais.

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